Foguetes movidos a parafina

Componente de velas caseiras é base de combustível testado pela Nasa

 

 

 

30/ 03/ 2003 - Um novo combustível mais seguro, barato e ambientalmente correto poderá ser usado no futuro em foguetes e outros veículos espaciais. E não se trata de um composto químico raro ou difícil de ser trabalhado. O novo material possui origem prosaica: trata-se da parafina, encontrada nas velas comuns que usamos em casa em dias de falta de luz ou nos jantares românticos.

A agência espacial americana (Nasa) e a Universidade de Stanford (Califórnia) trabalham juntas desde 2001 para avaliar a eficácia do combustível. Já foram realizados mais de 40 testes de queima da parafina.

Velas já existem na humanidade há milhares de anos. Mas nunca ninguém havia pensado na idéia de usá-las como combustível para foguetes. Uma vela de parafina pode ser manuseada e trabalhada com poucos riscos. É possível acender dúzias delas em um quarto e permanecer nele por horas, pois não são emitidos gases tóxicos.

A idéia inovadora partiu de Arif Karabeyoglu, da Universidade de Stanford, que conseguiu resolver um dos problemas apresentados pelas velas de parafina -- sua lenta combustão. Ele projetou uma câmara onde a parafina queima na presença de oxigênio puro -- o ar que nos circunda contém apenas 21% desse gás, o que aumenta em três vezes o tempo de sua combustão normal.


Os testes da NASA mostram que a parafina é um combustível promissor para foguetes.

 


Uma vantagem do uso da parafina em foguetes é que o oxidante necessário para sua combustão (o oxigênio puro, líquido ou gasoso) ficaria separado do combustível. Nos foguetes de combustível sólido atualmente em uso, combustível e oxidante precisam ser misturados antes de embarcarem no foguete, o que aumenta o risco de explosões.

Com a separação de combustível e oxidante, foguetes a base de parafina poderão ser melhor controlados, já que será possível desligar e ligá-los em vôo. Os atuais foguetes não podem ser desligados após o início da queima do combustível.
Além disso, a queima dos combustíveis convencionais libera compostos ácidos com o cloreto de hidrogênio e outros elementos nocivos ao meio ambiente. Quando chove, esses compostos poluem e acidificam lagos e a terra, e prejudicam assim a vegetação e os animais. Nos foguetes movidos a parafina os elementos liberados são menos nocivos: vapor d'água e dióxido de carbono.

Hoje em dia a poluição produzida pelo lançamento de foguetes nem se compara com a de carros e termelétricas a carvão, por exemplo. Mas no futuro, quando mais países e empresas privadas dominarem a tecnologia aeroespacial, poderá ser importante a utilização de um combustível ambientalmente correto.

Os testes com o novo combustível continuarão pelos próximos anos. A tecnologia, ainda em fase experimental, precisaria antes de tudo ser adotada durante alguns anos por pequenos foguetes. Mas tudo indica que a parafina poderá abastecer os grandes foguetes da Nasa e se tornar um dos principais combustíveis espaciais do futuro, especulam os cientistas.