Vírus ataca
sistema de espionagem Echelon
BRUXELAS - Um relatório do Parlamento Europeu resultante de investigação realizada nos últimos 11 meses concluiu que não há nenhuma prova de que o sistema internacional de rastreamento Echelon tenha sido usado para a espionagem industrial. Os relatores europeus também afirmam que o alcance do sistema - uma poderosa rede de satélites, estações de rastreamento e supercomputadores - vinha sendo superestimado. O Echelon não seria capaz de rastrear a maioria das comunicações eletrônicas feitas hoje em dia por telefone, fax e e-mail, como se julgou. O relatório será analisado a partir de hoje pelo Parlamento Europeu.
A revelação da existência do sistema causou celeuma há cerca de um ano. Os europeus acusavam EUA, Inglaterra, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, que o controlam, de buscar vantagens para suas empresas através de espionagem. Já os defensores das liberdades individuais afirmavam que o Echelon viola a privacidade alheia. O sistema reúne aleatoriamente lotes de dados, que são rastreados em busca de certas palavras-chave. E-mails, faxes e telefonemas pessoais também caem na rede.
Em aberto - A investigação foi motivada basicamente por uma pergunta principal: os países anglo-saxônicos estariam usando o Echelon para obter vantagens para suas empresas? ''Afirmou-se freqüentemente que o Echelon foi usado para estes fins, mas não se conseguiram provas que sustentem tal afirmação'', diz o relatório. Investigadores chegaram a visitar os EUA, onde tentariam esclarecer definitivamente este ponto com a Agência de Segurança Nacional (NSA), principal ator por trás do Echelon. No último momento, os americanos cancelaram as reuniões e a delegação européia voltou de mãos vazias e com uma série de perguntas na cabeça. O máximo que o relatório faz é afirmar que a espionagem industrial é ''improvável''.
''A vigilância estratégica de comunicações internacionais pode produzir informações úteis para a espionagem industrial, mas apenas por acaso. Em princípio, informações confidenciais são mais facilmente encontráveis nas próprias empresas'', através de informantes, por exemplo. Os deputados minimizam ainda mais o risco de uma empresa ser alvo do Echelon, afirmando que os dados podem e devem ser protegidos por programas de criptografia - mas em nenhum momento negam que a possibilidade exista.
Traição? - Um dos países que podem ficar na linha de tiro caso surjam provas de que houve espionagem contra empresas européias é a Grã-Bretanha. A ''traição'' poderia ser objeto de sanções no contexto da União Européia. Já o problema da privacidade parece distante da pauta do relatório, que se limita a aconselhar os usuários a se protegerem com os programas de criptografia disponíveis no mercado. O relatório chega a afirmar, por sinal, que ''o desenvolvimento de um sistema europeu semelhante deveria ser considerado necessário e inevitável''.
A comissão responsável pelo relatório garante ainda que o sistema não teria todo o alcance antes imaginado, sendo capaz apenas de rastrear comunicações via satélite, mas não a cabo, o principal meio usado hoje em dia para a transferência de dados. ''As análises revelaram que o sistema não chega nem perto do que a imprensa presumiu'', diz o relatório.