É de Piracicaba (SP) cúpula do maior observatório astronômico do mundo

 

 


A cúpula superior do mais importante observatório astronômico do mundo é piracicabana. Com 20 metros de diâmetro, 14 metros de altura e peso de cerca de 75 toneladas, esta cúpula sustentará um dos maiores telescópios do mundo (com 4,2 metros de diâmetro) e considerado um dos mais importantes pela potência e por empregar soluções tecnológicas que permitirão obter dados de qualidade máxima em terra, principalmente no infravermelho, o que proporcionará imagens melhores que as do Hubble. Com esse equipamento será possível ver estrelas com um bilhão de anos-luz a mais do que as identificadas até hoje. O trabalho para construção da cúpula em Piracicaba começou em dezembro de 2000, quando foram feitos os primeiros contatos para que empresas brasileiras se candidatassem ao gigantesco trabalho. Muitas desistiram e a Santin, empresa tradicionalmente ligada ao setor sucroalcooleiro, venceu a disputa.

Desde então foram muitas horas de trabalho do pessoal das áreas de engenharia, planejamento, fabricação e acabamento. O projeto mecânico e os desenhos da cúpula (também chamada de domo) foram feitos por uma empresa de São José dos Campos (SP). Em Piracicaba a cúpula foi montada e desmontada três vezes para definir os encaixes dos mais de 2000 parafusos e para testes do giro do anel, do sistema de abertura da porta superior e dos trilhos de manutenção. A última desmontagem acontece em junho de 2001, com a pintura, separação e embalagem das peças para a longa viagem de 4.400 quilômetros que separam Piracicaba da região chilena onde o poderoso telescópio será instalado. Será uma viagem de 12 dias, incluindo a passagem das seis carretas carregadas pelas estradas perigosas da Cordilheira dos Andes.

O equipamento será instalado em Cerro Pachón, região quase desértica do Chile, onde o céu fica limpo praticamente todas as noites do ano. Nesse lugar não chove nunca. É lá que está sendo construído, a 2.720 metros do chão, o Observatório Para Pesquisa Astrofísica do Sul (conhecido pelas iniciais desse nome em inglês - SOAR ). No projeto SOAR estão envolvidos o Brasil e os Estados Unidos. Os brasileiros entram com 42,85% dos custos, enquanto os americanos responderão pelos 57,15% restantes. O Brasil tem como meta suprir a sua necessidade urgente de expansão da Astronomia nacional, que cresce a uma taxa de 10% ao ano.

O tempo de uso do telescópio ficou dividido em cerca de 31% para o Brasil e 59% para os Estados Unidos. O Chile exige 10% do tempo de qualquer telescópio estrangeiro instalado em seu território. O Projeto SOAR vai operar aproveitando ao máximo as horas noturnas.