Cientistas australianos anunciam descobertas que desafiariam teoria de Einstein

 

 

 

O ponto crucial da teoria da relatividade, de Einstein, de que E = mc2 , está sendo posto em dúvida por uma equipe de cientistas australianos, que anunciou ter indícios de que a velocidade da luz pode estar diminuindo.

Basicamente, a fórmula de Einstein sustenta que a velocidade da luz deve permanecer constante. Essa velocidade é medida em cerca de 300 mil quilômetros por segundo.

As descobertas da equipe australiana, que estão sendo publicadas na mais recente edição da conceituada revista Nature, podem abrir um grande debate nos círculos acadêmicos.

O chefe da equipe, Paul Davies, da Macquarie University, de Sydney, afirma que a velocidade da luz, se realmente diminuiu ao longo de bilhões de anos, levaria os físicos a repensar muitas de suas idéias básicas sobre as leis do universo.

''Isso significa desistir da teoria da relatividade e de E = mc2 e toda essa espécie de
coisas'', disse Davies à agência de notícias Reuters, nesta quinta-feira. ''Mas, é claro, isso não significa que a gente vá simplesmente jogar os livros no lixo, porque é da natureza da revolução científica que as velhas teorias sejam incorporadas nas novas''.

O que Davies e sua equipe fizeram foi estudar um raio de luz de 12 bilhões de anos.

Marco

Os cientistas australianos disseram ter descoberto que o objeto de sua análise não tinha as propriedades que deveriam apresentar, e, por meio de um processo de eliminação, deduziram que a velocidade da luz deve ter sido muito maior há bilhões de anos.

''É inteiramente possível que a velocidade da luz fosse maior e maior, à medida que se recua no tempo'', declarou Davies ao jornal Herald Sun. ''Se a velocidade da luz era usasse infinita no primeiro segundo (da criação do universo), isso explicaria o por quê de o universo ser tão uniforme''.

As implicações da descoberta – se seus autores provarem que é realmente correta – não são necessariamente claras, no momento.

''Quando um dos marcos da física entra em colapso, não fica óbvio ao quê se deve permanecer atado nem o que descartar'', disse Davies à Reuters.

''Se o que estamos vendo é o início de uma mudança de paradigma na física, como o que aconteceu há 100 anos com a teoria da relatividade e a teoria quântica, é muito difícil saber que tipo de fundamentação usar'', acrescentou.

''Por exemplo, existe uma lei que diz que nada pode viajar mais rapidamente que a luz e esta lei veio na esteira da teoria da relatividade'', disse ainda Davies. ''Talvez seja possível contornar essa restrição, e, nesse caso, os fãs de ''Jornada nas Estrelas'' ficariam encantados, porque, no momento, mesmo à velocidade da luz, seriam necessários 100 mil anos para atravessar a galáxia''.

''É, realmente, um pouco tedioso, e se o limite da velocidade da luz poderia ser superado, então quem sabe? Todas as apostas estão feitas'', completou.

Davies é professor de Filosofia Natural do Centro Australiano para a Astrobiologia, da Macquarie University.

Na semana passada, ele recebeu o Prêmio Michael Faraday, da Real Sociedade Britânica, por seus esforços para melhorar a comunicação com o público na área científica, de engenharia ou de tecnologia, no Reino Unido.

Davies tem reputação internacional e é um hábil e talentoso comunicador de temas relacionados à física contemporânea.

 

Fonte: CNN