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Militares brasileiros empreenderam operações oficiais de pesquisas ufológicas na floresta

Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima. Este é o nome do primeiro oficial de nossas Forças Armadas a vir a público falar sobre impressionantes atividades de pesquisas ufológicas desenvolvidas secretamente no Brasil.
Conhecido por todos como Hollanda, o coronel reformado da Aeronáutica, ainda quando era capitão, comandou a famosa e polêmica Operação Prato, realizada na Amazônia entre setembro e dezembro de 1977. Por determinação do comandante do 1º Comando Aéreo Regional (COMAR), de Belém (PA), Hollanda estruturou, organizou e colheu os espantosos resultados desse que foi o único projeto do gênero de que se tem notícia em nosso país, e provavelmente um dos poucos no mundo.
Em 1997, ocorreu a histórica entrevista de Hollanda à Revista UFO. Seu conteúdo é chocante e mostra duas coisas com excepcional clareza: primeiro, a que ponto a Força Aérea Brasileira (FAB) chegou em sua determinação de conhecer o Fenômeno UFO, através de uma equipe de militares. Segundo, a coragem do chefe de tal equipe em empreender uma operação inédita e arriscada, mas que foi coroada de êxitos – que, infelizmente, são do conhecimento de pouquíssimos brasileiros. Hollanda era um militar ímpar, homem de fibra e resolução, que talvez tenha sido o único do mundo a passar pelas experiências que viveu na Floresta Amazônica – justamente no comando de um programa oficial, e não de uma aventura qualquer. Homem extremamente objetivo, impressionantemente culto e com vívida memória de inúmeros episódios de sua carreira militar – especialmente em relação à Ufologia –, Hollanda recebeu a Revista UFO em seu apartamento em Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro, para uma longa e proveitosa entrevista, em junho de 1997. Das 48 horas em que o editor A. J. Gevaerd e o co-editor Marco Antonio Petit passaram em sua residência, colheram uma valiosíssima quantidade de informações ufológicas inéditas e assustadoras. Sua atitude de quebrar um silêncio militar de 20 anos sobre o assunto não se deu por acaso.
Revelação e repreensão
Hollanda confessou que acompanhava discreta mas entusiasmadamente as atividades da Ufologia Brasileira desde o surgimento de Ufo, em 1985. Já naquela época, oito anos após a realização da Operação Prato, e ainda com memória fresca sobre os inúmeros casos ufológicos que viveu, a então revista Ufologia Nacional & Internacional, antecessora de Ufo, recebeu de uma fonte confidencial ligada à Aeronáutica uma série de fotos de naves alienígenas que teriam sido tiradas pela FAB, na Amazônia. Pouco ou nada, além disso, sabíamos sobre esse material, mas mesmo assim o publicamos.
Sabíamos na época, e Hollanda depois nos confirmou – que eram fotografias secretas, obtidas oficialmente pelos militares que compunham a Operação Prato. Esse material tinha que ser publicado a todo custo, para que a Comunidade Ufológica Brasileira soubesse de sua existência, mesmo que isso pudesse trazer problemas legais para a revista. E trouxe: tal atitude resultou em repreensão do editor da revista por um certo comando militar. De qualquer forma, as fotos e um texto sobre o pouco que sabíamos na época a respeito da operação foram publicados. Evidentemente, os oficiais que integraram a operação não apreciaram tal fato, em especial o comandante do 1º COMAR, que havia determinado a criação do projeto e estabelecido que o mesmo fosse mantido em segredo. Mas nenhum militar foi punido em razão da publicação daquele material em Ufologia Nacional & Internacional, pois nunca se soube quem era nossa fonte de informação. Não era Hollanda, ao contrário do que muitos pensaram.

Sede do 1º Comando Aéreo
Regional, em Belém do Pará. Desta instalação saiu a
primeira pesquisa dos UFOs
na amazônia, que lançou
vários militares frente
a frente com as naves
Apesar das dificuldades inerentes a uma
revelação como aquela, nos primórdios de nossa trajetória, nossos leitores
tomaram conhecimento de que uma missão de investigação oficial de objetos
voadores não identificados, conduzida pela FAB, foi realizada na Amazônia em
sigilo, resultando em experiências diversas vividas pelos militares envolvidos e
na confirmação não só da realidade do fenômeno em si, mas também de sua origem
extraterrestre. Nem o próprio Hollanda, que não conhecíamos na época, chegou a
se irritar com a publicação do material, pois julgou importante que todos
soubessem dos fatos, como admitiu anos depois, na entrevista que daria à Revista
Ufo, em 1997. “A publicação fez seu papel, doa a quem doer. Tem gente que
não gostou, é claro. Mas, assim como eu, vários outros militares acharam que a
medida foi acertada”, disse Hollanda ao editor Gevaerd.
Alguns meses depois, já baixada a poeira, Hollanda, ainda com patente de
capitão, passou a acompanhar as edições da revista, discretamente, constatando
de longe a seriedade do trabalho desenvolvido pela Equipe Ufo. Nosso interesse
por informações mais detalhadas sobre a Operação Prato nos levou a contatá-lo em
Belém, em 1988, em seu posto no 1º COMAR. O capitão nos recebeu com formalidade,
mas amigável. Evidentemente, não pôde nos dar os dados que buscávamos, mas notou
nossa insistência em ver o assunto disseminado através da publicação. Por isso,
tentamos ainda um novo contato no início dos anos 90, já no Rio de Janeiro,
quando o oficial estava em vias de se aposentar. Nessa ocasião, num encontro
casual, trocamos algumas idéias sobre o Fenômeno UFO, mas nada mais consistente.
Ainda não seria dessa vez que teríamos conhecimento dos detalhes das descobertas
da FAB na Amazônia.
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A hora certa chegaria em junho de 1997, por iniciativa do próprio Hollanda, motivado por uma reportagem que assistira no programa Fantástico. Numa matéria específica sobre o sigilo imposto aos discos voadores pelos governos – especialmente no Brasil –, o editor de Ufo declarou fatos sobre a Operação Prato e mostrou alguns poucos documentos que a equipe tinha na época. Na segunda-feira imediatamente após o programa ter ido ao ar, Hollanda, já na reserva, viu que era hora de quebrar o silêncio. |
Missão cumprida
| Aposentado desde 1992, ele nos telefonou para elogiar a atuação da revista e para retomar o contato e colocar-se à nossa disposição. Disse que já havia passado bastante tempo desde a operação, e que julgava ter chegado a hora de romper o silêncio. “Estou na reserva, cumpri minha missão para com a Aeronáutica. O que eles podem me fazer? Prender? Duvido!”, disse, quando questionamos sobre a possibilidade dele sofrer punições de seus superiores quanto à atitude de nos revelar os fatos. |
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A decisão de Hollanda era corajosa e absolutamente sem precedentes na Ufologia Brasileira. Nunca, em momento algum, um militar tinha tomado tal resolução. Assim, com seu consentimento, colocamos o repórter e editor do Fantástico Luiz Petry e a jornalista Bia Cardoso, da Manchete, em contato com ele. Esses profissionais foram os primeiros a chegar em Cabo Frio e entrevistar Hollanda. Com isso, cumpríamos nossa obrigação de informar à imprensa fatos significativos dentro do mundo ufológico. Tínhamos consciência de que, por mais que pudéssemos – e fôssemos tentados – a guardar para a Revista Ufo a exclusividade de tais informações, numa espécie de “furo” mundial de reportagem, não tínhamos esse direito. Ufo tinha, sim, a obrigação de dar todos os detalhes, todas as minúcias ao seus leitores. Mas a imprensa precisava levar tais fatos, ainda que de maneira bem mais reduzida, à toda população. Seguindo esse mesmo princípio, a publicação consentiu que a entrevista que fez com Hollanda fosse inúmeras vezes reproduzida em revistas e sites da internet, em todo o mundo.
| Mais do que um entrevistado, Hollanda transformou-se num querido amigo de vários integrantes da Equipe Ufo e aceitou, sem vacilar, o convite que formulamos para vir a ser um dos consultores da publicação, o que não chegou a se efetivar em razão de seu suicídio. Experiência não lhe faltava, pois, em seus quatro meses de Operação Prato, além de muitos outros passados na selva em missões onde o Fenômeno UFO estava presente, teve a oportunidade não apenas de conhecer detalhes íntimos sobre o assunto, mas de viver pessoalmente dezenas de espetaculares experiências com objetos enormes e à curta distância. |
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Naves de 30 andares
Hollanda se recorda dos detalhes de ocorrências
assustadoras passadas na selva, onde avistou diversos UFOs, desde “objetos
cilíndricos do tamanho de prédios de 30 andares, que se aproximavam a não mais
do que 100 m de onde estava”, disse, até as enigmáticas e onipresentes sondas
ufológicas. Na época em que o entrevistamos, Hollanda estava casado pela segunda
vez e vivendo uma vida pacata de aposentado em Cabo Frio, após 36 anos de
atividade militar – nos quais desenvolveu funções que vão desde chefe do Serviço
de Intendência do 1º COMAR a comandante do Serviço de Operações de Informação (A2)
e coordenador de Operações Especiais de Selva.
Hollanda era um homem realizado – poucos tiveram a vida que ele teve. E era
bastante franco também. “Gevaerd, a Operação Prato tinha o objetivo de
desmistificar aqueles fenômenos na Amazônia. Eu mesmo era cético a respeito
disso”, disse, logo no princípio da entrevista, informando que ele fora
designado por conhecer como nenhum outro militar a região afetada. “Mas
depois de algumas semanas de trabalho na área, quando os UFOs começaram a
aparecer de todos os lados, enormes ou pequenos, perto ou longe, não tive mais
dúvidas”, desabafou, admitindo que se convenceu da realidade dos fatos na
Amazônia.
É esse incrível personagem, agora eterna referência na Ufologia, quem deu a
maior contribuição que essa disciplina receberia em nosso país, em mais de cinco
décadas de atividades. Porém, a Comunidade Ufológica Brasileira mal chegou a
conhecer o homem a quem passou a dever tanto desde junho de 1997, quando ele
resolveu romper o sigilo. Quatro meses depois, em 02 de outubro, o coronel
Uyrangê Hollanda cometeu suicídio. Tinha feito outras três tentativas
anteriores, pois era vítima de depressão – sendo que, da última, adquiriu um
problema na perna que o levara a andar mancando. O coronel deixou filhos de seus
dois casamentos, em Belém e no Rio de Janeiro.
Hollanda foi-se desse mundo sem saber que enorme benefício o causara. Talvez, se
a primeira parte de sua entrevista tivesse sido publicada um pouco antes, ele se
sentiria menos deprimido ao ver o respeito com que seus depoimentos e sua
coragem foram tratados na Revista Ufo.
Veja a entrevista na íntegra
Ufo — Coronel, o senhor é o primeiro militar a vir a público e admitir tudo o que pretende uma entrevista como essa. Quais são as razões para isso?

Ufo — Obrigado
pela confiança, coronel. Mas como é que tudo começou?
Qual foi o estopim inicial de seu interesse por
Ufologia? Foi anterior à Operação Prato?
Hollanda — Em 1952 eu tinha 12 anos e estava na janela
de minha casa, em Belém (PA), quando apareceram uns
objetos muito grandes que me chamaram a atenção. Havia
uma luz imensa sobre a cidade. No dia seguinte a
história estava publicada no jornal. A matéria dizia que
aquilo tinha parado sobre uma federação de escoteiros,
durante um campeonato de natação, e todo mundo viu. Foi
aí que surgiu meu interesse por essas coisas, bem antes
de ser militar e muito antes da Operação Prato. Sempre
acreditei em vida extraterrena e na possibilidade de
“eles” terem a curiosidade de nos observar. Somos um
planeta com vida inteligente que deve suscitar interesse
de extraterrenos.
Ufo — O senhor
chegou a se engajar na Aeronáutica por causa de seu
interesse pela vida fora da Terra?
Hollanda — Não. Sempre tive uma paixão muito grande pela
aviação e pela vida militar. Como aviador da FAB,
cheguei a ser chefe do Serviço de Intendência, no qual
tinha muitas atribuições. Minha função era dar suporte
administrativo e financeiro para ações do comando ao
qual servia. Também fui chefe de operações do Serviço de
Informações do meu comando. Era uma tarefa ligada à
segurança do Estado, que combatia aos movimentos
subversivos durante a efervescência e após a Revolução
de 64. Batalhávamos contra as ações de terroristas e de
partidos comunistas que tentavam se infiltrar no país.

Ufo — Consta em seu currículo também uma função bastante
interessante, como chefe do Serviço de Operações
Especiais de Selva. O senhor deve ter muitas
experiências para contar.
Hollanda — Sim. A FAB tinha como projeto fazer um “colar
de fronteiras”. Era idéia do inteligentíssimo brigadeiro
João Camarão Teles Ribeiro, que tinha muito conhecimento
da Amazônia. Ele queria formar pontos-chave por todas as
fronteiras, construir campos de pouso de 200 em 200 km
ao lado de missões religiosas protestantes ou católicas,
e assentar lá agrupamentos que dessem assistência aos
índios. A FAB daria suporte a tudo isso. Eu trabalhei
nessa operação como pára-quedista, pois gostava muito
desse tipo de atividade.
Ufo — O senhor
efetuou muitas missões na selva? E apareciam muitos
índios?
Hollanda — Eram muitas tribos indígenas, com muitos de
seus componentes abrindo áreas na mata para construção
de campos. Alguns eram aculturados, outros não. Mas a
gente sempre trabalhava em algumas missões em contato
com eles. Nessa época, as ações do Parasar sempre
estavam em alta [Parasar significa Parachute Search and
Rescue, termo em inglês para Pára-quedismo e
Salvamento]. Eu era um pára-quedista responsável por
ações de busca e salvamento na selva.
Ufo — Durante
essa época, o senhor tomou conhecimento de algum tipo de
descoberta relacionada à arqueologia ou alguma
observação feita por militares na Amazônia, ligada a
esse tipo de programa?
Hollanda — Sim, alguns colegas tiveram experiências do
gênero, principalmente um amigo meu, que relatou que
estava sobrevoando a selva e ficou surpreso ao ver uma
formação piramidal coberta pela vegetação, no meio do
nada. Parece que ali tinha existido algum núcleo de uma
civilização muito antiga e que fora abandonada, tendo a
selva tomado conta de tudo. Mas havia uma formação
piramidal nítida, com ângulos perfeitos no Amazonas. Só
não posso precisar exatamente onde. Mas, se não me
engano, foi na região do Rio Jaguari. Isso me foi
relatado pelo coronel Valério.
Ufo — Coronel, agora que sabemos bastante sobre sua
atividade na FAB, vamos falar de Ufologia. Qual foi sua
primeira participação na pesquisa ufológica oficial
dentro da Aeronáutica? Foi a Operação Prato ou já havia
alguma coisa antes disso?
Hollanda — Não, de minha parte não. Minha atividade era
somente a segurança do Estado e as coisas que envolviam
o comprometimento da segurança nacional. Não tinha nada
a ver com UFOs ou seres extraterrestres. Mas eu já tinha
conhecimento de alguns casos acontecendo na Amazônia.
Ufo — Esses casos
atraíam, de alguma maneira, interesse ou preocupação por
parte das Forças Armadas, como se fossem uma ameaça
externa à soberania nacional?
Hollanda — Não eram vistos como ameaça externa. Os UFOs
eram encarados mais como um fenômeno duvidoso. Alguns
oficiais – talvez até a maioria deles – viam os UFOs
como uma coisa improvável e faziam muita gozação a
respeito. Faziam tanta brincadeira que acho que foi
sorte essa Operação Prato sair. Acho que só aconteceu
mesmo porque o comandante do 1º COMAR, brigadeiro
Protásio Lopes de Oliveira, na época, tinha muito
interesse nisso e acreditava em objetos voadores não
identificados. Se não...
Ufo — Como surgiu
a idéia da Operação Prato? Foi um projeto seu, do
comandante do 1º COMAR ou uma coisa do Governo?
Hollanda — Eu não estava em Belém nessa época. Embora
estivesse servindo na cidade, fazia um curso em
Brasília. Mas, quando retornei, apresentei-me ao chefe
da Segunda Seção do 1º COMAR, o coronel Camilo Ferraz de
Barros, e ele me perguntou se eu acreditava em discos
voadores. Foi meio de surpresa. Eu nem sabia que estava
ocorrendo uma pesquisa sobre o assunto. Quando respondi
que sim, ele falou: “Então você está designado para este
caso”. E me deu uma pasta com o material. Era o início
da operação, da qual eu ficaria encarregado, embora nem
nome ainda tivesse.
Ufo — De onde
veio a idéia de a operação se chamar Prato?
Hollanda — Essa idéia foi minha. Dei esse nome porque o
Brasil é o único país no mundo que chama UFO de disco
voador. Em francês é soucoupe volante, que significa
pires. Os portugueses o chamam de prato voador. Na
Espanha é platillo volador, e platillo é prato também.
Enfim, até em russo se fala prato, nunca disco, como se
faz no Brasil! E como nas Forças Armadas a gente nomeia
algumas operações com uma espécie de código, esse caso
não podia ser exceção, ainda que não pudesse ser
identificado o objetivo da operação. Por exemplo, não
poderíamos chamá-la de Operação Disco Voador. Por isso,
ficou Operação Prato.
Ufo — Se o senhor
recebeu uma pasta de seu chefe, então quer dizer que já
estava em andamento alguma investigação a respeito?
Hollanda — Sim, quando eu cheguei de Brasília já havia
agentes sendo enviados para investigar as ocorrências de
objetos voadores não identificados, porque essa coisa já
estava acontecendo há muito tempo na região de Colares,
que é uma ilha pertencente ao município de Vigia, no
litoral do Pará. O prefeito da cidade mandou um ofício
para o comandante do 1º COMAR avisando que os UFOs
estavam incomodando muito os pescadores. Alguns deles
não conseguiam mais exercer sua atividade, pois os
objetos sobrevoavam suas embarcações. Às vezes, certos
UFOs até mergulhavam ao lado delas, nos rios e mares, e
a população local passava a noite em claro. As pessoas
acendiam fogueiras e soltavam fogos para tentar
afugentar os invasores. Foi o pavor que fez com que o
prefeito se dirigisse ao comando do 1º COMAR solicitando
providências, e o brigadeiro mandou que eu fosse
investigar as ocorrências.
“ O Uyrangê Hollanda era um homem
determinado e obstinado em descobrir a origem do
fenômeno que se abatia sobre o litoral do Pará ”
— Daniel Rebisso Giese
Ufo — Em algum
momento houve a participação ou instruções do comando da
Aeronáutica, em Brasília, para que a situação fosse
averiguada?
Hollanda — Na época, eu não participava das discussões.
Era apenas um capitão e recebia ordens somente. Eu não
fiz parte desse trâmite e não sei como as decisões foram
tomadas ao certo. Mas, pelo pouco que sei, a decisão foi
do comando do 1º COMAR. Se houve envolvimento de
Brasília, não tomei conhecimento…
Ufo — Como é que o senhor estruturou a Operação Prato?
Quantas divisões, pessoas ou missões teriam que ser
empreendidas? Enfim, como o senhor organizou todas as
tarefas?
Hollanda — Bem, nós éramos uma equipe, e eu era o chefe
dela. Tínhamos cinco agentes, todos sargentos, que
trabalhavam na segunda seção do 1º COMAR. Além disso,
tínhamos informantes aos montes, gente nos locais de
aparição das luzes, em campo, que nos ajudava. Às vezes
eu dividia a equipe em duas ou três posições de
observação diferentes na mata. Claro que ficávamos
constantemente em contato uns com os outros, através de
rádio.
Ufo — Qual era o
objetivo imediato da Operação Prato? Observar discos
voadores, fotografá-los e contatá-los?
Hollanda — Olha, eu queria mesmo é tirar a prova dessa
coisa toda. Queria botar isso às claras. Porque todo
mundo falava nas luzes e objetos e até os apelidavam com
nomes populares, tais como chupa-chupa. E a FAB
precisava saber o que estava realmente acontecendo, já
que isso se dava no espaço aéreo brasileiro. Era nossa a
responsabilidade de averiguar. Mas, no início da
Operação Prato, eu queria mesmo era uma confirmação do
que estava acontecendo.
Ufo — O que
motivou a população local a chamar as luzes de
chupa-chupa?
Hollanda — Havia uma série de relatos de pessoas que
tinham sido atingidas por um raio de luz. Todas julgavam
que o efeito sugava-lhes o sangue. E realmente!
Verificamos alguns casos e descobrimos que várias delas,
principalmente mulheres, tinham estranhas marcas em seus
seios esquerdos, como se fossem dois furos de agulha em
torno de uma mancha marrom. Parecia queimadura de iodo.
Então as pessoas tinham o sangue sugado, em pequena
quantidade, por aquelas luzes. Por isso passaram a
apelidá-los de chupa-chupa ou apenas chupa. Era sempre a
mesma coisa: uma luz vinha do nada e seguia alguém,
geralmente uma mulher, que era atingida no seio
esquerdo. Às vezes eram homens que ficavam com marcas
nos braços e nas pernas. Na verdade, a cada dez casos,
eram mais ou menos oito mulheres e dois homens.
Ufo — E vocês
documentaram as marcas verificadas nas pessoas?
Hollanda — Sim, foi tudo visto e analisado por médicos,
que às vezes iam conosco aos locais. Sinceramente, eu
entrei nessa como advogado do diabo. Queria mesmo era
desmistificar essa história e dizer ao meu comandante
que essa coisa não existia, que era alucinação coletiva,
sei lá. Achava que alguma coisa estava sendo vista, mas
que não era extraterrestre...
Ufo — O senhor imaginava que fosse o que, então, aquilo
que estava sendo visto e até atacando as pessoas?
Hollanda — Não sei bem. Talvez a plumagem de uma coruja
refletindo a luz da lua ou alguma outra coisa dessa
natureza. Até acreditava em extraterrestres, mas não que
as pessoas os estivessem vendo. E eu fui para lá
verificar se era realmente isso. Passei pelo menos dois
meses respondendo ao meu comandante, quando voltava das
missões, que nada havíamos descoberto. Eram os primeiros
dois meses da Operação Prato, nos quais nada vi que
pudesse mudar minha opinião. Às vezes passava uma semana
no mato e voltava apenas no domingo, para conviver um
pouquinho com a família. A cada retorno, meu comandante
perguntava: “Viu alguma coisa?” E eu sempre respondia:
“Vi luzes estranhas, mas nada extraterrestre”. De fato,
víamos luzes que piscavam, que passavam à baixa
altitude, mas nada muito estranho.

Ufo — Isso era
durante a noite. E o que acontecia de dia? Vocês tinham
alguma outra atividade incorporada à Operação Prato?
Hollanda — Sim, tínhamos outras coisas a fazer, que eram
parte dos objetivos da operação. Fazíamos entrevistas
com pessoas que tiveram experiências, preparávamos os
locais para passar a noite e buscávamos lugares quentes
para fazer vigílias. Quando descobríamos que algo
aparecera em tal lugar, para lá nos deslocávamos.
Fazíamos um levantamento da situação, e sempre
cadastrávamos os nomes dos envolvidos em um formulário
próprio.
Ufo — Que
procedimentos ou metodologia eram utilizados na coleta
de informações?
Hollanda — Sempre colocávamos o nome da pessoa que teve
a experiência, o local onde ocorreu, horário etc.
Fazíamos uma descrição de cada fato ocorrido. Assim, se
acontecessem três casos numa noite, ouvíamos três
testemunhas. Algumas das descrições eram comuns, outras
mais estranhas. Às vezes recebíamos relatos de coisas
que não podíamos comprovar a autenticidade, como
desmaterialização de paredes inteiras ou de telhados,
por exemplo.
Ufo — O senhor tem algum caso para ilustrar esse tipo de
ocorrência?
Hollanda — Sim. A primeira senhora que entrevistei em
Colares, por exemplo, me disse coisas absurdas. Tínhamos
saído de helicóptero de Belém só para ouvirmos uma
mulher que tinha sido atacada pelo chupa-chupa. Vi que
ela tinha realmente uma marca no seio esquerdo. Era
marrom, como se fosse uma queimadura, e tinha dois
pontos de perfuração. Quando conversamos, relatou-me que
estava sentada numa rede fazendo uma criança dormir
quando, de repente, o ambiente começou a mudar de
temperatura. A senhora achou aquilo esquisito, mas nem
imaginava o que iria ocorrer a seguir. Então, deitada na
rede, viu que as telhas começaram a ficar avermelhadas,
em cor de brasa. Em seguida, ficaram transparentes e ela
pôde ver o céu através do telhado. Era como se as telhas
tivessem se transformado em vidro. Ela via o céu e até
as estrelas.
Ufo — Histórias
bizarras como essa eram muito comuns durante a Operação
Prato?
Hollanda — Muito, e me assustavam bastante, porque nunca
tinha ouvido falar dessas coisas. Quando ouvia casos
assim, ficava cada vez mais preocupado e curioso. Essa
gente parecia ser sincera. Por exemplo, através do
buraco que a mulher descreveu ela viu uma luz verde
brilhando no céu. A senhora então ficou meio dormente,
até que, em seguida, um raio vermelho que saiu do UFO
atingiu seu seio esquerdo. Era curioso que na maioria
das vezes as pessoas eram atingidas do lado esquerdo. E
tem mais: exatamente na hora em que estávamos falando
disso, uma menina chegou perto e disse: “Olha, aquilo
está passando aqui em cima”. Quando saí da casa, vi
cruzar a luz que a moça estava apontando, numa
velocidade razoável, ainda que o céu estivesse bastante
encoberto. Não era muito veloz e piscava a cada segundo,
dirigindo-se ao norte. Parecia até um satélite, só que
essa luz voltou em nossa direção – e satélites não fazem
isso! Logo em seguida, aquilo ficou mais estranho ainda.
Mesmo assim, não poderia dizer se era uma nave
extraterrestre. Aliás, eu não estava lá para classificar
qualquer coisa que surgisse como sendo disco voador.
Ufo — Vocês
utilizavam algum tipo de equipamento de radar que
pudesse confirmar ou fazer acompanhamento desses
fenômenos?
Hollanda — Não. Todos os aeroportos têm radares fixos.
Nós não portávamos nada desse tipo.
Ufo — Os ataques
que estavam acontecendo com certa freqüência eram
comunicados ao Governo, às autoridades estaduais ou
municipais?
Hollanda — Sim, claro. Vários médicos da Secretaria de
Saúde do Pará foram enviados pelo Governo para examinar
as pessoas. Eles analisavam o lugar queimado e tomavam
depoimentos dos pacientes, mas não faziam mais nada –
nem tinham como. Algumas vítimas se recuperavam
facilmente. Outras ficavam muito apavoradas. Havia umas
que diziam ficar enjoadas, com o corpo dormente por
vários dias. Um cidadão uma vez veio me procurar para
dizer que próximo à sua casa tinha surgido uma luz, que
focou um raio brilhante em sua direção. Ele me relatou
ter ficado tão apavorado que correu para dentro da casa,
pegou uma arma e apontou para a luz. Aí veio outra ainda
mais forte que fez com que ele caísse. O pobre coitado
passou uns 15 dias com problemas de locomoção, mas não
houve nada mais sério. Ele não foi atingido por nada
sólido, como um tiro, por exemplo. Parece que a natureza
dessa luz é uma energia muito forte, que deixa as
pessoas sem movimento. Acredito que as autoridades
federais estavam informadas de que esse tipo de ataque a
humanos estava acontecendo na região, mas desconheço
provas. Eu apenas recebia ordens de meu comandante, mais
nada.
Ufo — Se esses
depoimentos foram coletados desde o início da Operação
Prato, quando foi que o senhor teve seu primeiro contato
frente a frente com objetos voadores não identificados
naquela região?
Hollanda — Foi bastante significativo. Certa noite,
nossa equipe estava pesquisando na Ilha do Mosqueiro,
num lugar chamado Baía do Sol, pois havia informações de
que lá estavam acontecendo casos. Era um balneário
conhecido de Belém, bem próximo a Colares, e como
estávamos investigando todo e qualquer indício de
ocorrências ufológicas, fixamo-nos no local. Nesse
período, os agentes que tinham mais tempo do que eu
nessa operação – já que peguei o bonde andando –,
questionavam-me o tempo todo, após vermos algumas
luzinhas, se eu já estava convencido da existência do
fenômeno. Como eu ainda estava indeciso, diziam-me:
“Mas, capitão, o senhor ainda não acredita?” Eu
respondia que não, que precisava de mais provas para
crer que aquelas coisas eram discos voadores. Eu não
tinha visto, até então, nave alguma. Somente luzes,
muitas e variadas. E não estava satisfeito ainda.
Ufo — Eles deram
início à operação antes e tinham visto mais coisas? Mas
e aí, o que aconteceu?
Hollanda — Eles avistaram mais coisas e acreditavam mais
do que eu. E me pressionavam: “Como pode você não
acreditar?” Um desses agentes era o sub-oficial João
Flávio de Freitas Costa, já falecido, que até brincava
comigo dizendo que eu era cético enquanto uma dessas
coisas não viesse parar em cima de minha cabeça. “Quando
isso acontecer e uma nave acender sua luz sobre o
senhor, aí eu quero ver”, dizia ele, sempre gozando de
meu descrédito. E eu retrucava que era isso mesmo: tinha
que ser uma nave grande, bem visível, se não, não
levaria em conta. E para que fui dizer isso naquela
noite? Acabávamos de fazer essas brincadeiras quando, de
repente, algo inesperado aconteceu. Apareceu uma luz,
vinda do norte, em nossa direção, e se aproximou. Aí ela
se deteve por uns instantes, fez um círculo em torno de
onde estávamos e depois foi embora. Era impressionante:
a prova cabal que eu não podia mais contestar. Eu pedi e
ali estava ela! Foi então que levei uma gozada da turma.
“E agora?”, os soldados me perguntaram.
Ufo — Quando foi
isso, exatamente?
Hollanda — Em novembro de 1977, no meio da operação. O
objeto tinha uma luz que se parecia com solda de metal,
como aquelas elétricas. Foi curioso, pois quando era
menino ouvia muitas histórias de coisas que a gente não
conseguia enxergar por possuírem luminosidade muito
forte. E foi o que eu vi, junto à minha equipe: uma luz
azul, forte, de brilho intenso. Mas não vi a forma do
UFO, só a luz que ele emanava o tempo todo.
Ufo — Vocês
conseguiram fotografar esse objeto brilhante e sua
emanação de luz?
Hollanda — Fotografávamos tudo o que aparecia, mas
levamos um baile durante uns dois meses com as fotos,
pois nelas não saía nada. Sempre tínhamos os objetos bem
focalizados, preenchendo todo o quadro da máquina, mas
quando revelávamos os negativos, nada aparecia.
Pensávamos, às vezes, “ah, agora vai sair”. Mas nada.
Isso acontecia com freqüência, até que ocorreu um fato
inusitado. Eu estava analisando os positivos, muito
chateado por não conseguir imprimir as imagens que
víamos em nossas missões, quando peguei uma lanterna que
usava em operações de selva, e fiz uma experiência. Foi
a sorte.
Ufo — E o que
aconteceu?
Hollanda — A lanterna tinha uma luz normal e forte numa
extremidade e uma capa vermelha na outra, que servia
para sinalização de selva. Era de um material
semitransparente de plástico, tipo luz traseira de
carro. Tirando-se a tal capa vermelha havia um vidro
fosco. Eu olhei para aquilo e me lembrei que os médicos
examinam as radiografias num aparelho que tem um quadro
opaco com luz por trás [Radioscópio]. Esse equipamento
ajuda a fazer contraste de luz e sombra numa chapa de
raio-X. Assim, tive a idéia de pegar um filme já
revelado e contrapô-lo ao vidro fosco da minha lanterna
de selva. Foi então que pude ver um ponto que não
conseguia enxergar antes. Eu não estava procurando marca
ou objeto algum, e sim uma luz, pois foi isso o que
vimos na selva ao batermos as fotos. Só que a tal luz
não aparecia, e sim o objeto por trás dela. No caso do
rolo que estava analisando, vi um cilindro, que aparecia
em todos os demais fotogramas. Ficou claro, então, que
não conseguia imprimir a luz do objeto na foto, mas sim
a parte sólida dele, talvez por uma questão de
comprimento de onda, não sei. Não entendi por que a luz
do UFO não impressionava aquele filme, somente a parte
sólida. Depois, concluímos que aquele objeto seria uma
sonda em forma de cilindro.
Ufo — Vocês fizeram muitas fotografias de UFOs como
essas?
Hollanda — E como! Fizemos mais de 500. Eram dezenas de
rolos de filmes, uma caixa de papelão cheia deles. Em
quase todos os fotogramas havia UFOs ou sondas. E veja
você que todos aqueles negativos ficaram na minha
frente, por quase dois meses de trabalho, e não
conseguimos nada. Não saía luz alguma nas fotos. Aí,
depois do que descobri, fomos olhá-los novamente e havia
imagens fantásticas. Depois foi só mandar ao laboratório
do 1º COMAR para ampliar e ver lindas sondas e UFOs nas
fotografias. Dezenas deles!
Ufo — Depois de
sua descoberta vocês fizeram novas fotos?
Hollanda — Sim, com a ajuda de um amigo chamado Milton
Mendonça, que já faleceu. Ele era cinegrafista da TV
Liberal, de Belém, e conhecia muito sobre fotografia.
Pedi sua ajuda porque confiava bastante nele e sabia
que, participando da operação conosco, não ia comentar
nada com ninguém. Assim, informei o fato ao meu
comandante, dizendo-lhe que estava com dificuldades no
processo técnico fotográfico, e ele autorizou Milton a
entrar no esquema. Ele foi conosco em algumas vigílias e
sempre nos auxiliava. Até instruiu-nos a usar filmes
especiais, com recursos de infravermelho, ultravioleta
etc. Pedimos, pois, o material para nossos superiores,
em Brasília, e eles mandaram filmes ótimos. Com isso,
passamos a ter melhores resultados. Conseguimos
fotografar, então, objetos grandes e com formatos que a
gente nem imaginava…
Ufo — Quanto à
forma, qual era o padrão mais comum que esses objetos
apresentavam?
Hollanda — No início da Operação Prato vimos o que todo
mundo falava: sondas e luzes piscando. Inclusive, tinha
um padre norte-americano, chamado Alfred de La O, também
falecido, que nos dava descrições de sondas e objetos
nesse formato. Ele era pároco em Colares e falava de uma
sonda que tinha visto várias vezes. Segundo Alfred, ela
era mais ou menos do tamanho de um tambor de óleo de 200
l. Essa sonda apresentava um vôo irregular, não era uma
trajetória segura. Voava como se tivesse balançando, e
emitia uma luz. Às vezes andava junto às outras, que iam
e vinham de um ponto a outro. Um dia, ela passou por
cima de nós.
Ufo — Vocês
chegaram a perceber algum tipo de interação entre o que
faziam e o comportamento do fenômeno?
Hollanda — Essa pergunta é bastante interessante, pois
aquilo era uma coisa muito estranha. Eles, seja lá quem
fossem, mostravam ter absoluta certeza de onde nós
estávamos e o que fazíamos. Parecia que nos procuravam,
pois, quando menos esperávamos, lá estavam, bem em cima
da gente. Não mais do que um mês depois de passarmos a
conviver nos locais de aparições, essas sondas começaram
a vir sempre até nós. Às vezes, a gente se deslocava de
um lugar para outro e lá iam elas, acompanhado-nos quase
o tempo inteiro, como se tivessem conhecimento da nossa
movimentação.
Ufo — Quer dizer
então que os objetos voadores não identificados, de
alguma forma, pareciam se interessar pelas atividades da
Operação Prato?
Hollanda — Bem, pelo menos sabiam o que estávamos
fazendo. Por exemplo, no caso da Baía do Sol, aconteceu
algo peculiar. Naquela época já estava terminando o ano
letivo e muita gente ficava na praia à noite. Tinha pelo
menos umas 100 mil pessoas na orla, naquele fim de
semana. No entanto, uma sonda veio para cima de nós, num
lugar todo escuro onde não havia mais ninguém. Oras, por
que veio ao nosso encontro, na escuridão, se tanta gente
estava ali perto, na praia?
Ufo — Esse foi o
primeiro grande acontecimento ufológico envolvendo o
senhor?
Hollanda — Não digo que tenha sido grande, mas foi
bastante significativo. Naquela ocasião voltamos para a
base do 1º COMAR pela manhã. Foi quando conversei com
meu comandante e disse que, pela primeira vez, algo
estranho tinha acontecido.
Ufo — O senhor
teve alguma reação física desse acontecimento em seu
organismo, algum problema resultante dessa observação
específica?
Hollanda — Naquele exato momento não, mas depois notei
que todos perdemos um pouco da acuidade visual. Com o
tempo, minha visão enfraqueceu ainda mais, tanto que
passamos a usar óculos. Mas isso ocorreu em razão de
outras exposições que também tivemos mais para frente,
em outros inúmeros contatos.
Ufo — Coronel,
após um caso como esse, pelo que sabemos, vocês faziam
um relatório completo, que era integrado à Operação
Prato. Mas vocês também se submetiam a algum tipo de
exame médico?
Hollanda — Era feito um relatório do acontecimento, com
hora, local, coordenadas geográficas, mapeamento da
região etc. Tudo bem descritivo. Mas nunca tivemos que
fazer exame médico, mesmo porque nunca tivemos qualquer
problema.
Ufo — Quando seu
comandante recebeu a notícia sobre o que aconteceu, como
ele reagiu? Esses casos ufológicos foram se repetindo?
Do que mais o senhor se lembra para nos contar?
Hollanda — Bom, como a Baía do Sol era um local muito
favorável para observações de UFOs, passamos a
freqüentar a região com bastante regularidade. Tínhamos
amigos no Serviço Nacional de Informações (SNI) – que
não têm nada a ver com isso – que acompanhavam algumas
de nossas missões. Os agentes eram nossos conhecidos,
tinham curiosidade, por isso iam conosco. Às vezes,
saíam notícias a respeito em um ou outro jornal local,
fazendo com que muita gente em Belém comentasse sobre
esses avistamentos. Minha mulher [Do primeiro casamento,
já falecida] e meu irmão sabiam das coisas que eu estava
fazendo. Mas além desse círculo, ninguém de fora da base
do 1º COMAR tinha ciência desses pormenores. Mesmo
assim, pedia sempre muita reserva à minha esposa e
irmão. Tanto que eles nem perguntavam detalhes.
Ufo — A população
de Belém sabia que havia uma operação da FAB na região?
Hollanda — Não. Mas sabia que nós éramos da Aeronáutica
e estávamos por lá atentos a tudo. Algumas pessoas
sabiam que existia uma operação, só não sabiam do nome
nem dos resultados. Outras tinham pequenos detalhes,
como o fato de eu ser capitão, ou de fulano ou sicrano
ser sargento, mas ninguém conhecia os resultados da
missão. Nem bem o que exatamente fazíamos. O que se
desconfiava era que a gente estava examinando algo. Só.
No caso dos oficiais do SNI, quando me pediram para ir,
disse que não teria problema, mas que deveriam pedir
autorização ao seu chefe [Na época, o chefe do SNI em
Belém era o coronel Filemon]. E o chefe deles autorizou,
porém não como uma missão do Serviço de Informação.
Ufo — O Serviço
Nacional de Informações chegou a desenvolver algum
trabalho ufológico depois?
Hollanda — Não. Os agentes só queriam ver aquelas coisas
voando, junto de nossa equipe. Eles sabiam que estávamos
fazendo um trabalho sério em certos locais de vigília. E
como confiavam em nossa experiência, seguiam-nos aos
pontos mais prováveis de avistamentos de UFOs. Um dia,
junto ao Milton Mendonça, chegamos à Baía do Sol, lá
pelas 18h00, e montamos nosso equipamento fotográfico.
Ficamos então num lugar escuro, reservado, observando o
que viria a acontecer. No entanto, por razões pessoais,
tive que voltar mais cedo naquela noite, para estar em
Belém às 20h00, pois tinha um compromisso. Por volta das
18h30 surgiram três pontos luminosos alinhados muito
alto no céu, em grande velocidade. E olha que eu conheço
avião para dizer que a velocidade daquilo era bem acima
da média. Os pontos estavam voando no sentido
oeste-leste. Quando deu 19h00, apareceram mais dois
estranhos objetos piscando alinhados, um atrás do outro,
no sentido norte-sul.
Ufo — Qual foi a
seqüência com que os fatos se apresentaram?
Hollanda — Bem, o pessoal do SNI não chegava. Tínhamos
combinado às 18h00. Ficamos aguardando-os para que
acompanhassem nossa vigília. Assim, esperei apenas mais
um pouco e começamos a desmontar o material, pois não
podíamos mais aguardar. Finalmente, chegaram e
perguntaram se tinha acontecido algo. Eu brinquei,
dizendo ter marcado às 18h00 e eles só apareceram às
19h00, numa referência ao fato de que ali passa UFO
quase que de hora em hora. E um deles fez então uma
pergunta idiota: “A que horas passa outro?” Respondi que
não sabia e que aquilo não era bonde para ter horário.
Falei ainda que eles deviam ficar ali a noite inteira,
esperando para ver UFOs. Nesse momento, enquanto
conversávamos, um deles disse: “Olha aqui em cima,
agora. Olha para o alto”. Foi aí que o herói brasileiro
tremeu nas bases, porque tinha um negócio enorme bem em
cima da gente. Era um disco preto, escuro, parado a não
mais que 150 m de altura, exatamente onde estávamos.
Ufo — Deve ter
sido uma experiência fantástica e aterrorizante. O
objeto tinha luzes, emitia algum ruído, fez algum
movimento?
Hollanda — Ficou parado, mas tinha uma luz no meio, indo
de amarela para âmbar. E fazia um barulho como o de ar
condicionado. Parecia com o ruído de catraca de
bicicleta quando se pedala ao contrário. Aquele negócio
era grande, talvez com uns 30 m de diâmetro. Olhamos
para aquilo por um bom tempo, até que começou a emitir
uma luz amarela muito forte, que clareava o chão,
repetindo isso em intervalos curtos mais umas cinco
vezes.
Ufo — Qual foi a
reação que tiveram os membros do SNI presentes aos
fatos?
Hollanda — Não foi só o pessoal do SNI, não. Todo mundo
ficou espantado! Eu mesmo nunca tinha visto algo assim,
e olha que já estava quase há dois meses nessa operação.
Nunca aparecera uma nave dessa forma para gente. Foi tão
inusitado que nem lembramos de montar novamente a
máquina fotográfica, que já estava guardada, pois já
íamos embora. Também não dava tempo, pois estava
guardada em caixas próprias e demoraria para que fosse
retirada e montada. Só nos restava ficar olhando,
assustados, para aquela coisa que iluminava tudo com uma
luz amarela forte que ora apagava, ora acendia.
Ufo — Parece que
estavam dando uma demonstração a vocês, latejando dessa
maneira estranha...
Hollanda — É. O UFO fazia isso em intervalos de dois
segundos. Apagava, acendia, apagava. Era uma luz
progressiva, que não clareava como um flash, mas que
crescia e voltava à mesma intensidade. Estávamos até
sentindo que alguma coisa podia acontecer, pois estava
escuro, era um local bastante isolado e ninguém sabia
que a gente estava lá – só nós e “eles” [Risos].
Ufo — Houve
alguma ocasião em que outras equipes de diferentes
órgãos do Governo participaram junto a vocês?
Hollanda — Não. O que eu sei é que houve um vazamento de
informações sobre a Operação Prato. Algumas pessoas
comentaram sobre a incidência de avistamentos. Creio que
o vazamento se deu no Aeroclube de Belém. Teve uma vez
em que uma equipe do jornal O Estado do Pará foi para o
lugar onde estávamos acampados e, como sabia que agíamos
na área, ficou na espreita. Na outra vez eles se
enganaram: foram a um ponto onde acharam que estaríamos,
mas se deram mal, pois estávamos noutro. Numa dessas
aventuras, eles chegaram a ver alguma coisa, porém foi
algo tão esquisito que jamais voltaram. Alguns
repórteres juraram que nunca mais fariam uma missão
dessas. Eles viram uma luz se aproximando à baixa
altitude e pegaram o carro para chegar mais perto. A luz
se dirigiu até onde estavam e focou um raio em cima
deles. Pelo que soube, o teto do carro ficou
translúcido, como se fosse de vidro. Aí o objeto fez
umas evoluções em cima do automóvel, permitindo até que
fotografassem aquilo. As fotos foram publicadas em
página inteira. Tinham uma nitidez incrível. Mas depois
do susto que tomaram, as testemunhas sumiram de carro –
parece que algumas tiveram acesso de vômito e se
descontrolaram emocionalmente. Quem pode dar informação
sobre esse fato é o Ubiratan Pinon Frias, que era o
piloto do Aeroclube de Belém.
Ufo — Com todos
esses fatos acontecendo e vocês mandando toda hora
relatórios à sua chefia, em algum momento perguntaram a
ela se haveria possibilidade de informar a população
sobre as ocorrências da Operação Prato?
Hollanda — Não foi feita essa pergunta porque a gente já
sabia que não era possível que a população viesse a
saber dos acontecimentos. Não seria cabível essa dúvida
ao meu comando, porque isso era assunto reservado. Minha
missão era coletar dados e entregar ao comandante, e
isso era tratado com confidencialidade. Tínhamos que
documentar, fotografar e filmar os UFOs, se possível, e
entregar tudo ao 1º COMAR. Daí para frente, o destino
que seria dado ao material era responsabilidade dele.
Ufo — O senhor
tem idéia do que era feito com todo esse volumoso
material?
Hollanda — Os relatórios com desenhos, fotos, croquis
etc eram preparados, classificados, passados ao
comandante e arquivados no próprio 1º COMAR, numa sala
reservada. Depois disso, alguns iam para Brasília,
segundo fui informado na época. No entanto, pelo que
sei, a reação dos altos escalões era de ceticismo –
alguns colegas até brincavam com os fatos.
Ufo — O senhor
teve conhecimento de que a FAB já teria instituído um
sistema de pesquisa oficial quase 10 anos antes, em
1969, chamado Sistema de Investigação de Objetos Aéreos
Não Identificados (SIOANI)?
Hollanda — Nessa época, em 1969, eu era tenente na Base
Aérea de Belém e foram distribuídos entre nós vários
livretos informativos sobre o assunto, pedindo para que
os oficiais que se interessassem pelo tema fossem
voluntários para preparar relatórios com depoimentos.
Foi só. Depois as discussões morreram.
Ufo — Em algum
momento houve participação de militares norte-americanos
pedindo informações ou detalhes sobre o trabalho de
vocês na operação?
Hollanda — Que eu saiba, não. Se isso ocorreu foi em
altas esferas e, como já disse, eu era apenas capitão.
Não me metia nessas coisas e nem podia saber nada a
respeito.
Ufo — A
incidência desse fenômeno na Amazônia, durante a
Operação Prato, chegou a ser diária?
Hollanda — Sim, era diária e muito ativa. Chegamos a
verificar pelo menos nove formas de UFOs. Conseguimos
determiná-las e classificá-las. Algumas eram sondas,
outras naves grandes das quais saíam objetos menores.
Filmamos tudo isso, inclusive as naves pequenas voltando
ao interior de suas naves-mãe, as maiores. Tudo foi
muito bem documentado.
Ufo — Quais eram
os equipamentos que vocês usavam para registrar esse
movimento?
Hollanda — Tínhamos máquinas fotográficas Nikon
profissionais, com teleobjetivas de 300 a 1000 mm,
dessas grandes. Era um terror trabalhar com elas, porque
tinham um foco rapidíssimo. Qualquer bobeada, qualquer
movimento em falso, e perdíamos os UFOs. Mas eram
equipamentos de primeira. Também tínhamos filmadoras e
gravadores, na possibilidade de um ruído ser ouvido ou
de alguma coisa que pudesse ser registrada.
Ufo — Vocês
tinham expectativa dessas naves entrarem em contato com
vocês, se é que esse não era um dos objetivos da
operação?
Hollanda — Estávamos expostos a tudo. Para falar a
verdade – e não estou fazendo mistério –, podia
acontecer qualquer coisa, no mato, na selva, nas praias,
em qualquer lugar. Estávamos em operação militar e, por
obrigação, tínhamos que agüentar tudo. O que quer que
ocorresse teria sido no cumprimento do dever.
Ufo — Vocês
portavam armas nas missões?
Hollanda — Não, em nenhum momento. Nunca pensei em levar
arma, nem mesmo por via das dúvidas. Não esperávamos que
houvesse necessidade. Por isso, nem pensamos nessa
hipótese, mesmo quando estruturávamos a montagem da
operação, sua parte logística, de alimentação,
transporte, comunicação etc.
Ufo — Mas houve
algum momento dentro da operação em que o senhor teria
percebido que esse fenômeno pudesse ser perigoso?
Hollanda — Uma vez, sim. Foi o aparecimento de algo
muito forte, tanto que quando essa coisa aconteceu eu
tive medo de que pudesse se dar uma abdução. Só comentei
com algumas pessoas, e uma delas – meu amigo Rafael
Sempere Durá [Consultor da Revista Ufo] – chegou a me
repreender gravemente por ter me exposto a algo
perigoso. “Seu maluco irresponsável. Você tem
comandante. Mas sou seu amigo e estou te proibindo de
fazer uma coisa dessas”, disse, zangadíssimo, quando
soube o que aconteceu. O fato foi realmente grave.
Durante a Operação Prato, estávamos numa embarcação
ancorada à margem do Rio Jari quando uma coisa enorme
parou a não mais que 70 m do barco.
Ufo — Quais as características desse objeto que o senhor
relatou?
Hollanda — Para responder a isso, tenho que dizer porque
nós estávamos lá. Bem, fomos ao local porque tenho um
amigo, que era oficial da FAB na época, o capitão Victor
Jamianiaski, descendente de poloneses radicado em Belém,
que gostava muito de pescar e freqüentava o local. Um
dia, sabendo que a gente estava nessa investigação,
contou-me o caso de um rapaz que trabalhava apanhando
barro para uma olaria próxima dali. Essa olaria era de
Paulo Keuffer, também de Belém. O rapaz se chamava Luís
e me contou um fato incrível. Disse que certo dia,
enquanto colhia barro, viu uma paca comendo restos de
flores de uma árvore à beira do rio e a acompanhou para
caçá-la. Ele voltou à olaria, esvaziou o batelão
[Embarcação de 7 a 9 m com motor de centro], aprontou
uma espingarda e voltou ao local, onde armou um
acampamento em cima de uma árvore. Pendurou sua rede e
ficou com lanterna e espingarda preparadas para a
chegada do animal.
Ufo — E aí, o que
aconteceu?
Hollanda — Bom, quando ouviu um barulho, e pensou que
era o animal, passou por Luís uma luz muito forte que
logo depois voltou e parou sobre onde estava. Do centro
da nave, descrita como sendo similar à cabine de um
Boeing 737, abriu-se uma porta ou algo assim e desceu um
ser com forma humana. Luís disse-me que não teria visto
escada de corda, nem de metal, mas que a entidade tinha
descido através de um foco de luz, com os braços
abertos. Quando o ser estranho se aproximou, e Luís viu
que estava correndo perigo, pulou fora e se escondeu
numa árvore próxima, mas ficou observando o que se
passava. Então o ser chegou com uma luz vermelha – que
não era lanterna, mas estava na palma de sua mão –, e
examinou a rede deixada na árvore, como também o lugar
onde estava e tudo mais, mas não procurou Luís nem ficou
vasculhando o local. O ser foi direto ao local onde o
rapaz tinha se escondido, morrendo de medo. Rapidamente,
focou um raio de luz vermelha em sua direção, fazendo-o
correr para dentro da vegetação.
Ufo — O estranho
ser percebeu de alguma forma automática onde estava Luís
e foi em sua direção. Não parece boa coisa...
Hollanda — Pois é. Mas Luís saiu por uma margem do rio,
tropeçando em troncos e raízes, com dificuldade de
caminhar e tudo mais. Aí o ser voltou para a nave e a
mesma passou a seguir o rapaz dentro do curso do rio, à
baixa velocidade e pouca altitude, talvez à altura da
copa das árvores. Luís ia devagar e nem conseguiu pegar
o barco que estava mais à frente, como pretendia. Não
teve jeito: gritou e atraiu a atenção de algumas
pessoas, que vieram a seu encontro. Ao verem aquilo,
pularam dentro d'água e ficaram observando a distância,
só com os olhos de fora. O que viram foi incrível. A
nave parou em cima do batelão, o ser desceu e examinou
todo o barco, exatamente como fez com a rede. Aí ele foi
até a nave, a porta se fechou e o UFO disparou para
longe. Conversei com Luís no 1º COMAR e decidi ir ao
local ver a situação. Ao chegarmos lá, eram mais ou
menos 19h00 e estava chovendo razoavelmente. Os agentes
foram para dentro da casa do zelador da olaria. Como
chefe da equipe, não entrei. Permaneci em alerta,
esperando para ver se alguma coisa acontecia…
Ufo — E aí, o que
aconteceu então do lado de fora da olaria?
Hollanda — Olha, veio uma coisa escura, da qual não pude
ver a forma. Não sei se era discóide. Sei lá, só se via
as luzes daquilo, uma verde intensa e outra vermelha.
Estranho era o barulho que aquele troço fazia, como ar
condicionado, porém bem mais forte. Parecia barulho de
turbina, como se houvesse uma coisa girando. O objeto
passou em cima de onde estávamos, mas em tão baixa
altitude que não poderia ser um avião. Nenhum piloto
faria aquilo, pois estaria morto. Um vôo rasante
daqueles já é perigoso demais num dia claro, imagine com
chuva e de noite. Aí eu gritei para minha equipe:
“Acabei de ver um treco muito estranho aqui”. Então
entramos no barco e fomos para o tal lugar onde Luís
tinha tido o contato. Chegando lá, fomos até a árvore
onde ele havia caçado a tal paca. Ficamos todos ali
embaixo. Mas com a maré enchendo, a gente estava com a
água cada vez mais alta...
Ufo — O jeito era
subir numa árvore, então, e aguardar os
acontecimentos...
Hollanda — Era, pois a maré foi subindo cada vez mais.
Ficamos lá, em cima da árvore, aproximadamente umas 10
horas. Quando decidimos ir embora, fomos em direção ao
barco, que estava parado na outra margem, e guardamos o
equipamento. Quando então que, a mais ou menos uns 2000
m, veio cruzando o rio, de norte para o sul, uma luz
muito forte, de cor amarela, âmbar como o Sol, porém em
baixa altitude. Aquilo estava em cima das árvores e
cruzou o rio na mesma posição que a anterior,
praticamente onde ficava a residência do vigia – no
local onde eu a tinha visto pela primeira vez.
Ufo — Emitia o
mesmo som de ar condicionado ou era alguma vibração mais
intensa?
Hollanda — Tinha som, sim. Mas nos concentramos em
filmar aquilo. Você pode ver no filme [Que, no entanto,
não foi mostrado porque o coronel não o possuía mais]
uma tremedeira ou coisa assim, e uma luz como se fosse
de chama. Aparece também o rastro dela refletida no rio.
Isso tudo foi bem filmado.
Ufo — Quando
vocês tinham algum documento desse gênero, uma filmagem
espetacular como essa, tal material não ia para
Brasília?
Hollanda — Ainda não. O filme ficava retido lá no 1º
COMAR. Depois é que Brasília solicitava o material. Eu
não acho que eles acreditavam muito nessa história, mas
alguém lá queria vê-lo. Falava-se tanta coisa sobre o
assunto, mas ninguém queria se expor. Talvez alguém em
Brasília pudesse dar crédito para uma coisa dessas, mas
tinha colegas lá que eram céticos. Outros ficaram
sabendo que os UFOs eram verdadeiros.
Ufo — Voltando à
nave que vocês estavam observando, às margens daquele
rio, tal experiência deve ter sido extraordinária.
Hollanda — Bom, foi mesmo. E nós registramos hora,
altura, direção, essas coisas todas que tinham que
constar no relatório. Enquanto aquilo estava lá, à nossa
frente, eu pensava: “Agora mesmo é que não saio daqui.
Agora vamos ter que ficar”. Mas não tínhamos levado
comida, café, água, nada. Não tínhamos levado nada. O
que veio a seguir é impressionante.
Ufo — E o que
aconteceu?
Hollanda — Como tínhamos que voltar lá para fazer as
anotações necessárias, e não havíamos levado nada, Luís
se propôs a ir até sua casa – à beira do rio – para nos
trazer café, bolacha e água. Ele saiu com um barquinho
em direção a uma ilhota de uns 15 ou 20 m de largura,
mas muito comprida. Um garoto de uns 9 anos de idade foi
com ele. Eles foram remando e sumiram nessa ilha. Logo
que Luís desapareceu ao longe, fiquei em pé em cima do
toldo do barco. Enquanto isso, os agentes comentavam
sobre o que estava acontecendo, mas como eu era o chefe,
não podia me dar ao luxo de ficar conversando. Tinha que
ficar alerta. Foi então que, à minha esquerda, próximo
ao início do rio, veio uma luz muito forte – a mesma luz
amarela. Enquanto ela se aproximava, fiquei quieto. E
como aquela claridade continuou se aproximando, chamei a
atenção dos agentes para o fenômeno.
Ufo — Esses agentes estavam equipados com máquinas
fotográficas para registrar o episódio?
Hollanda — Sim. Logo que notaram a presença do objeto,
prepararam máquina fotográfica, filmadora, tudo. Aquela
coisa veio em nossa direção, a uns 200 ou 250 m de
altura. Cruzou por cima da gente e quando chegou perto,
na margem do rio, apagou-se. Era uma luz amarela e muito
forte, como se fosse um sol, e a gente não via seu
formato, somente o clarão. De repente, pudemos notar que
objeto tinha uma forma estranha de bola de futebol
americano, pontuda e grande – de mais ou menos uns 100
m. Um aparelho translúcido, com janelinhas em toda a sua
extensão. Porém, não pude perceber se havia alguém lá
dentro, apesar de ter passado devagar como se fosse de
propósito. A filmadora estava acionada e como emitia um
ruído, pedi para que o agente que a estava manejando, um
japonês, parasse de filmar, porque eu queria tirar
algumas dúvidas e não desejava interferência de sons.
Então o cinegrafista parou.
Ufo — Depois que
ele desligou a filmadora, foram ouvidos barulhos mais
nítidos que identificaram aquele fenômeno?
Hollanda — O cinegrafista perguntou: “Você está
ouvindo?” Respondi que sim. Era um barulho de catraca,
esquisito e oscilante. Depois continuamos filmando e
fotografando, até que a coisa foi embora, seguindo rumo
ao continente. Isso aconteceu entre 11h00 e 11h30,
conforme o relatório. Já faz muitos anos, mas recordo-me
do horário. Após esse episódio, comentamos sobre aquele
troço esquisito. Por volta de 01h00 ou 01h30 a luz
voltou, só que não era mais da cor do Sol. Era agora de
um azul muito forte e acompanhou a margem oposta do rio.
Quando chegou perto da ilha, foi em direção a Belém, mas
estava muito baixa, passando sobre as copas das árvores.
Ufo — Essa foi a situação mais complicada? O avistamento
mais extraordinário dentro da Operação Prato?
Hollanda — Foi. Aparentemente, a luz se aproximou de
Belém, depois voltou em nossa direção. Víamos através
das copas das árvores que tinha uma luz lá em cima e que
ela havia penetrado a mata.
Ufo — Vocês
chegaram a fazer cálculos da distância em que o UFO
permaneceu?
Hollanda — Como ele estava à nossa frente, fui até lá
por curiosidade e para colher dados exatos para o
relatório. Sua distância era de uns 70 m. Aquele monstro
azul, embora tivesse um brilho muito forte, podia ser
olhado diretamente sem que ardesse a vista. Não havia
nada, apenas aquela luminosidade forte. Um troço
incrível. Ficamos parados a observá-lo. Então fiquei com
medo, porque estava muito próximo, do outro lado do rio,
ou seja, à mesma distância de uma trave à outra num
campo de futebol. Aquele objeto ficou parado durante uns
três minutos. Enquanto isso, olhávamos em silêncio. De
repente, a luz se apagou rapidamente e pudemos ver o que
estava por trás dela.
Ufo — E o que
era, coronel? Algum objeto diferente?
Hollanda — Era novamente a bola de futebol americano em
pé, a uns 100 m de altura, parada e sem janela alguma.
Devia ser o mesmo UFO, só que com o interior apagado.
Sei lá, alguma coisa desse tipo. Todo mundo ficou com
medo. Uma das pessoas ainda perguntou: “E agora? E se
esses caras vierem e carregarem a gente, como é que
fica?” Tudo era novidade para nós e ninguém sabia o que
poderia acontecer dali para frente.
Ufo — Coronel, o
senhor está a par do fato de que esse tipo de ocorrência
na Amazônia não é uma coisa comum em outros lugares do
mundo? Na sua opinião, por que essas naves insistiam
tanto em aparecer nas regiões Norte e Nordeste,
principalmente na Amazônia?
Hollanda — Não, não sabia que casos como esse eram
raros. No meu ponto de vista, o qual expus a alguns
amigos, passei a me interessar muito mais pelo assunto
depois que terminei meu trabalho na Aeronáutica. Para
mim, Ufologia é um assunto muito sério. Descartava muita
coisa acerca de avistamentos ufológicos, por nunca ter
visto nada que pudesse me dar certeza. Depois que vi uma
nave, quis entender o fenômeno, e como oficial de
operações de selva quis tirar minhas próprias
conclusões. Mas não podia colocá-las no relatório,
porque eram pessoais, resultados de um estudo
aprofundado... Tivemos muito contato com tribos
indígenas, por isso, preocupávamos-nos em não transmitir
a eles doença de espécie alguma, pois os índios não
tinham anticorpos, ao contrário de nós. Podíamos passar
gripe, sarampo, difteria, tuberculose, enfim...
Ufo — Seria uma
tragédia?
Hollanda — Com certeza, porque nós temos controle em
nosso corpo. Nosso organismo tem defesas, e o deles não.
Daí minha preocupação de que mesmo cumprindo a missão,
involuntariamente, tivéssemos transmitido doenças aos
índios. Felizmente nunca houve um caso desses. Não me
lembro de ter prejudicado algum índio dessa maneira.
Concluí outra coisa a respeito de por que aqueles seres
estariam fazendo isso. Se eu fosse eles e precisasse de
um aparecimento aberto, franco, direto, o que teria que
fazer? Proteger a mim e a meus companheiros. Mas como?
Sabendo o que cada um possui dentro de seu próprio
organismo que possa danificar o meu, entende? Essa
defesa só poderia ser feita se tivesse uma amostra do
nosso sangue e tecidos. Não foi difícil imaginar que
eles estivessem fazendo coleta de material genético,
para ver o que contínhamos que pudesse danificá-los num
contato futuro necessário, certo? Não só sangue, mas
também nossas células. Não sei ao certo o que essa luz
com alta energia podia fazer, ou se transportava
partículas do corpo humano para serem analisadas mais
tarde. Hoje ainda não compreendo o tal processo de
clonagem. Na época, não pensei em nada disso, a não ser
que eles estavam coletando material que pudesse
prejudicá-los num possível contato próximo.
Ufo — A população
ribeirinha imaginava que a intervenção deles seria uma
agressão? Ela chegou a se armar para se defender desse
tipo de fenômeno?
Hollanda — Claro, eles imaginavam estar sendo atacados
por algum ser maldoso, como um vampiro ou morcego. Os
populares pensavam que eram coisas que vinham de fora,
de outro planeta. Eles já viam formas estranhas e luzes
antes de mim. As naves também, pois demorou muito para
eu observá-las.
Ufo — A população ribeirinha dessas regiões andava
armada?
Hollanda — Sim, a população que vivia às margens do rio
usava foguete, andava armada com espingardas de cartucho
e de caça. Foi relatado na Operação Prato que eles
portavam armas. Alguns até atiravam, e eu só dizia para
não fazerem isso. O próprio padre falava que não havia
motivo para tanto: “Vocês nunca vão fazer nada. Quem
tentar lhes apontar uma arma ficará 15 dias dormente,
imobilizado na rede”.
Ufo — Coronel,
essa experiência que o senhor acabou de descrever teve
alguma influência em sua vida, em sua forma de ver o
mundo? Isso aconteceu no final da Operação Prato?
Hollanda — A Operação Prato foi até quando a Aeronáutica
mandou interrompê-la. Esse relato foi passado ao meu
comandante, dizendo tudo a respeito de como foi a coisa.
Posteriormente, o filme foi revelado e assistido no
auditório do Quartel General por vários oficiais.
Ufo — Quais foram
as conclusões a que o senhor chegou, a esse respeito?
Hollanda — Não havia dúvidas. Não tínhamos visto a forma
do objeto na hora em que se deu o avistamento. Só fomos
ver depois da impressão fotográfica. A coisa tinha no
alto uma porta aberta, como a de um Boeing. Não havia
ser algum dentro do objeto, na fotografia também não
aparecia nada, exceto um feixe de luz em direção ao
barco onde estávamos. Dessa abertura parecia que alguém
focava em nossa direção. Na ocasião, a luminosidade era
tão forte que nos impedia de ver qualquer forma no
interior daquela bola azul enorme.
Ufo — Com uma
declaração desse nível, uma coisa extraordinária como
essa, por que o 1º COMAR desativou a Operação Prato em
apenas três ou quatro meses de trabalho?
Hollanda — Olha, talvez tenha sido por causa da
especulação da população. São perguntas que não podem
ser respondidas. Quem são, por exemplo, ninguém sabe.
Talvez quem esteja mais avançado sejam os
norte-americanos, os russos. De onde vêm? Não há
resposta. O que eles querem? Também não sabemos. São as
três questões feitas e que ninguém pode responder – o
que desmoraliza a Força Aérea e o Governo brasileiro.
Ufo — Mesmo
assim, não compensaria à Força Aérea manter o projeto em
busca dessas ou de outras respostas? Por que fechá-lo?
Hollanda — Se eu fosse o comandante, continuaria. Mas eu
só obedecia ordens, e a ordem era parar. E assim foi
cancelada a operação, quer estivéssemos satisfeitos,
quer não.
Ufo — O senhor acatou e bateu continência, simplesmente?
Sem maiores reações?
Hollanda — Sim, pois já tinha acabado. A conclusão sobre
a coleta de material para fazer antídoto, vacina,
solução sorológica que inibisse qualquer incidência de
moléstia no corpo desses alienígenas, a partir do sangue
ou do material colhido do corpo humano, foi exposta
quando visitei Rafael Durá, em São Paulo. Depois de uma
longa conversa, mostrei minha opinião. Ele disse que era
a mais lógica que ouviu a respeito do chupa-chupa,
porque o que se ouvia era falar em agressão, e eu
discordava: “Não foi agressão de forma alguma. Foi
pesquisa ou coleta de material, como alega Jacques
Vallée”. Durá me agradeceu, dizendo: “Foi a explicação
mais lógica que eu ouvi até agora”.
Ufo — Depois que
a operação foi encerrada, o material que vocês coletaram
permaneceu em Belém ou foi para Brasília?
Hollanda — Em Belém. Várias vezes eu tentei escrever um
relatório final, pois o original era parcelado, caso a
caso. Por exemplo, se numa noite o fenômeno se
manifestava três vezes, então tinha que ser feito um
relatório. Pelo que eu escrevia, baseado em tudo que
via, achava que em Brasília iam me chamar de louco, pois
eles não estavam lá para presenciar.
Ufo — Mesmo
depois do encerramento da Operação Prato o senhor
continuou pesquisando, investigando, fazendo suas
vigílias? Teve alguma outra experiência interessante?
Hollanda — Bem, eu nunca relatei isso. Estou abrindo
exceção para vocês, Gevaerd e Petit, em altíssima
confiança, por sua seriedade. Também porque já estou com
60 anos de idade, daqui a pouco faço 70... Isso se eu
chegar lá e não desaparecer antes. Eu estava em casa,
tinha acabado de receber uns livros que solicitei a Bob
Pratt – que me visitou logo no início da Operação Prato
–, quando algo aconteceu. Foi uma coisa surpreendente,
que quero relatar com calma.
Ufo — O que exatamente Bob Pratt queria com o senhor?
Hollanda — Conversar. Ele queria saber sobre o que tinha
havido, porque ele esteve na Ilha dos Caranguejos [Onde
aconteceu um grave caso, meses antes] e eu não sabia da
existência desse local nem do que tinha ocorrido por lá.
Depois mandei verificar a área. Outros ufólogos também
me procuraram na época, entre eles o doutor Max
Berezowski, o general Uchôa, um ufólogo argentino cujo
nome não recordo, Jacques Vallée e Reginaldo de Athayde
[Co-editor da Revista Ufo] . Nunca mais mantive contato
com Berezowski, mesmo depois de suas cartas e
telefonemas. Não tive oportunidade de conhecê-lo
pessoalmente, porque minha mulher não concordou em
hospedá-lo em casa. Jacques Vallée falou comigo anos
depois e me deu até um livro de presente.
Ufo — Eles
mandavam casos para o senhor analisar e emitir um
parecer?
Hollanda — Através de Rafael Durá, de Osni Schwarz
[Nesse instante Uyrangê volta a falar sobre sua
experiência ao receber os livros de Bob Pratt]. Eu lia
todos os livros para me aprofundar mais em Ufologia,
humanóides, aparecimentos, abduções, outras coisas, e
assim pude me munir de mais conhecimentos sobre a
temática. Já não tinha mais nada com a Força Aérea, mas
continuava interessado no assunto. Sempre empilhava meus
livros sobre uma estante. Um dia, estava deitado, lendo
uma obra que não tinha nada a ver com Ufologia, enquanto
minha filha, ainda pequena, lia uma revistinha de
criança. De repente, os livros se deslocaram como se
tivessem sido pegos e a pilha inteira caiu no chão.
Ressalto que morava na Vila Militar, bem distante da
rodovia, onde não havia trepidação de carro que
justificasse a causa de tal circunstância.
Ufo — Eles
estavam empilhados na vertical, um sobre o outro?
Hollanda — Quando eles bateram no chão, claro que a
pilha desmontou, mas os livros não se espalharam. Eles
vieram empilhados até o chão. Minha filha Daniela
assustou-se e perguntou: “Pai, que engraçado... Como é
que os livros caíram?” Nessa mesma hora, minha mulher
estava no andar de baixo, preparando mamadeira para as
crianças, quando algo semelhante aconteceu. A bandeja em
que estavam os copos e talheres saiu voando da pia,
flutuando por toda a cozinha, e então caiu, sem quebrar
um copo sequer, apesar do barulho de louça que ouvi de
onde eu estava. No momento em que catava os livros do
chão, brinquei com minha filha para que ela não tivesse
medo. Coloquei-os no lugar e falei: “Vocês estão
querendo que eu leia”. Então abri um livro numa página
qualquer. Logo em seguida aconteceu o incidente com a
bandeja de louças. Pelo barulho pensei que tivesse
machucado alguém, cortado talvez.
Ufo — E o que sua
esposa achou disso tudo, coronel?
Hollanda — Desci as escadas correndo e, nesse meio
tempo, minha esposa vinha subindo com os olhos
arregalados, dizendo que não ficaria sozinha diante
daquele fenômeno. Perguntei a ela o que havia
acontecido: “Não sei. A bandeja saiu voando e foi parar
no meio da pia”. Eu não entendi muito bem a história.
Levei, então, um copo d'água para ela.
Ufo — E os
fenômenos ficaram por isso mesmo, sem mais nem menos?
Hollanda — Dois ou três dias depois, eu estava dormindo
por volta da meia-noite, quando um novo fato aconteceu.
Estava numa espécie de desligamento, mentalização,
deitado junto à minha mulher. De repente, adentrou meu
quarto um clarão muito forte, seguido por um estalido,
iluminando tudo. Assustei-me ao ver um troço tão
estranho. Imediatamente, apareceu um ser atrás de mim,
abraçando-me. Achei a situação meio esquisita. Além
disso, tinha outro ser na minha cabeceira, que media 1,5
m de altura e estava vestido com uma roupa semelhante à
de astronauta ou de mergulho.
Ufo — Colante ou neoprene? Aquele material usado em
roupas de surfistas?
Hollanda — Era muito fofa, não era colada ao corpo. Não
cheguei a ver seu rosto, mas era cinza, tinha uma
máscara parecida com a de mergulho, e o olho não dava
para detalhar. Eu estava muito assustado por causa
daquele “bicho” que me abraçava e apertava por trás,
sussurrando em meu ouvido em português: “Calma, não
vamos te fazer mal”. Tinha uma voz metalizada, como som
de transmissões computadorizadas.
Ufo — E sua esposa, como reagiu?
Hollanda — Continuou dormindo, sem saber da presença do
“baixinho” que estava em minha cabeceira, apertando-me
na cama. Não gostei da sensação e da atitude dele. Logo
em seguida, outro estalido, e o clarão desapareceu,
deixando-me muito assustado.
Ufo — Houve lapso
de tempo?
Hollanda — Não me lembro. Fiquei raciocinando se não foi
apenas um sonho. Mas o troço era muito esquisito e eu
ouvi os dois estalidos. Não me recordo se fui beber
água. Acho que desci para tomar alguma coisa, whisky,
sei lá.
Ufo — Esse
fenômeno voltou a acontecer com o senhor nos dias
seguintes?
Hollanda — No outro dia, fui para o quartel hastear a
bandeira e bater continência ao som do Hino Nacional.
Minha mulher sempre fechava o portão da garagem quando
eu saía para trabalhar, por causa dos cachorros e das
crianças. Eu tinha um Alfa Romeo azul-marinho naquela
época. Quando meti a chave na porta do motorista para
abri-la, a porta do outro lado abriu-se sozinha, sem ao
menos eu ter tocado no veículo. Ao ver aquilo, minha
mulher ficou assustada. Eram muitos fenômenos
inexplicáveis que vinham acontecendo. Olhei para meu
suposto companheiro e disse, em tom de gozação: “Você
não vai andar muito. A viagem é curta”.
Ufo — O senhor
sentiu alguma coisa, talvez uma dor de cabeça ou algo
assim?
Hollanda — Aí eu me sentei no carro, e quando estiquei a
mão para fechar a porta, ela o fez sozinha. Minha esposa
assustou-se ainda mais. Fui embora, seguindo rumo ao
quartel. Ao hastearmos a bandeira, meu braço esquerdo
começou a coçar muito. Eu já estava doido para que a
cerimônia acabasse, pois não podia tirar a mão da pala
para me coçar. Quando olhei para meu braço, ele estava
vermelho. Achei aquilo muito esquisito [Até o dia em que
o entrevistamos, em seu braço havia a mesma marca
avermelhada].
Ufo — O senhor
acha que isso tudo foi conseqüência do quê?
Hollanda — Calma, já chego lá. Meu braço continuou
coçando. Por curiosidade, num certo dia, apertei a pele
e, ao fazê-lo, apareceu um troço, como se fosse um
pedacinho de plástico. No raio-X não apareceu nada. Mas
aperte aqui e sinta. [Ao apertar o local, pudemos sentir
alguma coisa pontuda, que mais parecia uma agulha].
Ufo — Algum outro
componente de sua equipe apresentou qualquer tipo de
marca pelo corpo?
Hollanda — Sim, o Flávio. Descobri isso quando todo
mundo quis ver o meu ferimento. Ele também possuía a
mesma marca na perna esquerda, numa das coxas. Ele
acabou falecendo por causa de derrame, em virtude do
ferimento na perna. Depois eu conversei com um médico,
amigo meu, para o qual mostrei meu braço. Ele me
convidou a ir até o hospital para fazer exames. Numa das
vezes que fui a São Paulo e conversei com Rafael Sempere
Durá, ele pegou uma bússola pequena e pediu permissão
para dar uma olhada, colocando o aparelho sobre a minha
pele.
Ufo — Essa é, sem
dúvidas, uma evidência física sem precedentes...
Hollanda — Os ponteiros da bússola ficaram alterados. Se
através de um exame radiológico não se pôde ver
absolutamente nada, comentei com Rafael que queria
mandar abrir a pele. Ele me aconselhou que não o
fizesse.
Ufo — Mudando de assunto, o senhor tem conhecimento de
que o Governo brasileiro continua fazendo pesquisas
ufológicas, seja na Amazônia ou em outro lugar?
Hollanda — Pesquisa com determinação, com base em um
programa, acredito que não. Pelo menos não tenho
qualquer informação a esse respeito. Primeiro, porque
estou fora, na reserva. Tenho muito pouco contato com o
Ministério da Aeronáutica. Possuo amigos lá, mas nunca
ouvi falar que o órgão tenha ido investigar qualquer
tipo de projeto ou eventualidade.
Ufo — O senhor
acredita que deveria haver um programa de pesquisas
ufológicas mantido pelo Governo brasileiro?
Hollanda — Na minha opinião, sim. Eu mesmo tenho minhas
razões pessoais para crer nisso, mas mesmo que não as
tivesse, se eu fosse comandante, mandaria.
Ufo — O que o
senhor imagina que foi feito dos documentos e
fotografias resultantes dos três meses da Operação
Prato?
Hollanda — Creio que tenham sido arquivados, pois não
foi dado muito valor a eles. Não tive conhecimento de
qualquer repercussão no Ministério da Aeronáutica.
Quanto às fotografias, não foram enviadas as 500 para
eles. Seguiram apenas as que constavam no relatório e
alguns negativos. A maioria delas ficou conosco,
guardada nos arquivos do 1º COMAR, e ninguém mais
conseguiu obter informação a respeito. A seção à qual eu
pertencia é onde se encontram arquivados os quatro
filmes batidos e as fitas de vídeo. Na época, o
Ministério da Aeronáutica iria ficar com apenas um rolo,
mas confiscou inclusive os outros três que pertenciam a
mim, que foram comprados com meu dinheiro e, assim
mesmo, a Aeronáutica nunca os devolveu.
Ufo — Nunca
pensou em guardar um souvenir desse material?
Hollanda — Não. Veja bem: já falei que adoro a FAB,
ainda mais quando estava lá dentro. Hoje, eu fico de
fora, vendo como é que meus companheiros estão se
virando, o que estão fazendo para que ela prospere e
engrandeça. Sempre tive um respeito muito grande pela
Força Aérea e pelo meu serviço. Eu nunca faria isso com
ela. Fiquei calado por 20 anos. Durante esse período,
fui consultado várias vezes para que escrevesse ou
prestasse alguma declaração.
Ufo — Coronel, o
senhor se recorda que publicamos umas fotografias nos
anos 80 sem sua autorização? Isso trouxe algum problema
para o senhor?
Hollanda — Trouxe sim, muitos embaraços. Eu fui mandado
a Brasília para investigar por que aquilo tinha sido
vazado, como aquela história tinha se tornado pública.
Como o carimbo da Aeronáutica estava exposto, já que
naquela época eu era o chefe dessa operação, como é que
aquilo saiu? Ninguém foi punido por isso, pois a verdade
sobre como as coisas vieram à tona nunca foi descoberta.
Ufo — O senhor
acredita que a publicação dessa matéria na Revista UFO,
na íntegra, pode causar mais embaraço?
Hollanda — Hoje não. Minha missão foi cumprida. Minha
carreira se esgotou após 36 anos de trabalho. Quanto à
liberação dos documentos para o público, isso já é
decisão do comando. Se liberarem, irão surgir muitas
indagações que o Ministério da Aeronáutica e Governo não
estão aptos a responder. Para evitar constrangimentos,
não se fala nada. Uma vez eu estava assistindo a um
programa do apresentador Flávio Cavalcanti. Num
interrogatório sobre esse assunto, um cara perguntou por
que os UFOs não pousam no Maracanã para todo mundo ver?
Se acontecer um caso desses, um pouso na Esplanada do
Planalto, por exemplo, aí não tem jeito. Acredito que
num futuro próximo “eles” possam ser até um pouco mais
abusados. Do jeito que está, em menos de um ou dois
anos, acontecerá um contato claro, aberto para toda a
população, que será transmitido pelas televisões do
mundo.
Fonte: Revista UFO