O dia em que Brasília reconheceu a Ufologia

Pela primeira vez no mundo, um chefe de governo condecora ufólogos e adeptos da chamada Cultura Alternativa

 

 

 


13/ 11/ 2003 - Há exatos 17 anos, setenta personalidades brasileiras ligadas à chamada Cultura Alternativa – incluindo artistas, bruxos, parapsicólogos, fitoterapeutas, ufólogos e outros – recebiam a Medalha do Mérito Alvorada das mãos do então governador do Distrito Federal, José Aparecido de Oliveira.

Num evento que entrou para a história da Ufologia no Brasil, a condecoração de alguns dos ufólogos da época iniciou o debate em torno da oficialização da pesquisa de extraterrestres em nosso país. Desejo que ainda não saiu do papel.


Momento em que o então governador do Distrito Federal, José Aparecido, discursava

Curiosamente, a homenagem aos ufólogos ocorreu quase seis meses depois da famosa e polêmica “Noite Oficial dos ÓVNIs”, em que todo o Brasil tomava conhecimento de que caças da Aeronáutica perseguiram ÓVNIs que invadiram nosso espaço aéreo e desapareceram rumo ao oceano. Seria a homenagem também uma forma de “acalmar” os ânimos dos ufólogos, que cobravam pela Imprensa uma explicação das autoridades sobre aquela noite? Talvez.

A condecoração foi na manhã de sete de novembro de 1986, no Palácio do Buriti. O governador José Aparecido de Oliveira tinha decidido reconhecer o trabalho dos estudiosos da Cultura Alternativa, os quais, no anonimato, batalhavam pelo alargamento da visão Humana.

Boa parte dos homenageados era da própria Capital Federal, que sempre teve sua história ligada à preocupação com as coisas transcendentais, o espiritual, mágico e esotérico.

ALTERNATIVAS - Entre as personalidades alternativas homenageadas na ocasião estiveram a cantora Gal Costa (representando os músicos brasileiros da “Nova Era”), o pagé Sapaim (que tratou com medicina indígena o saudoso naturalista Augusto Ruschi), o médico naturopata Efraim Melara e outros.

Seis ufólogos foram destacados naquela manhã: Ademar Gevaerd, Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, América Paoliello Marques, General Alfredo Moacyr de M. Uchoa, Cláudio Caparelli e Dioclécio Luz. Todos ligados à extinta revista ’PSI-UFO’. A maioria, infelizmente, está hoje afastada das pesquisas e o General Uchoa é falecido.

Em seu discurso, o governador José Aparecido observava que a Humanidade percebeu que, além da razão, há outros instrumentos de pesquisa e conhecimento disponíveis, como a fé e a intuição, por exemplo.

”A fé particular de determinada religião não se mostra capaz de responder a todas as perguntas”,lembrava o governador, para depois disparar: ”Os que hoje tentam enclausurar o pensamento nos estreitos limites do racionalismo, desprezando as outras formas de abordagem da realidade, são reacionários, preconceituosos, inimigos da liberdade e do progresso”.

VAZIO - Infelizmente, o reconhecimento oficial dos ufólogos ficou restrito àquela homenagem, caindo no vazio. Anos depois, outras pessoas tentaram oficializar a Ufologia, como o deputado federal João Caldas (no ano 2000), mas sem sucesso.

Até hoje as autoridades nos devem explicações sobre o que realmente ocorreu na ”Noite Oficial dos ÓVNIs”, sobre o “Caso Varginha” (1996), sobre o blecaute provocado por um ÓVNI (março, 1999), sobre a queda do avião Tucano da FAB (que resultou na morte de um adolescente) e outras tantas ocorrências ufológicas.