Sexta, 23 de maio de
2003, 17h48
Nasa poderia salvar tripulação se
conhecesse falha
A Nasa (agência espacial americana) poderia ter lançado outra nave para salvar os astronautas do ônibus Columbia se tivesse tido informações sobre as falhas existentes nele. A declaração é do principal investigador do acidente, almirante da reserva da Marinha Harold Gehman, que preside a Junta Investigadora do Acidente do Columbia.
O Columbia, que completava uma missão especial de 16 dias, se desintegrou no ar no dia 1º de fevereiro, quando retornava à atmosfera terrestre e se preparava para aterrissar na Flórida, o que fez com que os sete astronautas a bordo morressem, na segunda maior catástrofe de uma nave espacial americana.
As investigações sugeriram que houve danos na cobertura isolante da asa esquerda do Columbia, causados possivelmente pelo desprendimento de materiais durante o lançamento. "Há muitas coisas que agora surgiram no sentido de que se, alguma coisa, poderíamos ter feito isso ou aquilo", disse Gehman. "E, sim, é tecnicamente factível que tal coisa poderia ter sido feita", mas "não tenho a menor idéia de que teria sido bem-sucedido ou não", ressaltou.
Uma expedição de salvamento com quatro astronautas experientes a bordo da nave Atlantis "teria sido muito, muito arriscada, mas não impossível", acrescentou. O diretor da Nasa, Sean O'Keefe, disse que se tivesse tido tempo para notar os danos do Columbia, teria considerado o salvamento de sua tripulação com o envio do Atlantis, mesmo se isso representasse o risco de perda de ambas as naves e seus tripulantes.
Gehman disse que esta é a aplicação da norma militar, que indica que é preciso arriscar um número grande de soldados por menor que seja a chance de salvar um efetivo ferido ou capturado em combate. "Às vezes, enviamos 120 soldados para salvar um", acrescentou. "Se um piloto caiu depois das linhas inimigas e é possível fazer algo para tirar essa pessoa de lá, é feito. É uma espécie de contrato, de pacto que temos com a pessoa que enviamos a uma situação de perigo", disse Gehman. "A Nasa e a nação têm um contrato similar com os astronautas", acrescentou.
A nave Atlantis estava pronta para ser levada à rampa de lançamento em Cabo Canaveral para uma decolagem no dia 1º de fevereiro. Se os técnicos da Nasa tivessem tido noção do risco que o Columbia corria e tivessem impedido seu retorno à atmosfera, teria sido possível preparar o Atlantis para um lançamento três ou quatro dias antes do esgotamento dos purificadores de ar do Columbia, destacou Gehman.
Porém, o próprio Atlantis mesmo esteve sujeito a inspeções depois que em um lançamento em outubro passado registrou o impacto de um fragmento que se soltou do tanque de combustível. "Tudo isto é de fato um grande exercício hipotético... se, tal coisa, então tal outra", disse Gehman.
Se tivesse decolado, o Atlantis chegaria ao Columbia em 24 horas. Em órbita, as naves se manteriam a uma distância de 20 a 30 metros uma da outra, enquanto os astronautas do Columbia passariam para o Atlantis em passeios espaciais. Gehman disse que se tal operação tivesse sido possível, o Columbia, abandonado no espaço, teria sido conduzido por controle remoto até cair no mar.