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Uma cidade flutuante. Essa é uma das definições mais populares e mais realistas que podem ser atribuídas a um porta-aviões. Surgidos na segunda década do Século 20, os porta-aviões já mostravam todo seu potencial militar que viria a ser comprovado nos diversos conflitos que assolaram as décadas seguintes. Mas como será viver nessa gigantesca caixa de aço com uma pista de pouso e decolagem presa nas costas? O
dia-a-dia dos modernos porta-aviões usados pela Marinha dos Estados
Unidos (U.S. Navy - USN) segue uma rígida disciplina e faz com que a máquina
de guerra norte-americana esteja sempre pronta para intervir em qualquer
parte do planeta onde seja necessário. |
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O ex-piloto de aviões A-6E Intruder da Marinha americana, Scott Murphy, confirma a afirmação feita no início da reportagem. "A vida a bordo de um porta-aviões é muito parecida a vida em uma pequena cidade. Praticamente todas as suas necessidades são atendidas", comenta Murphy.Os modernos porta-aviões de propulsão nuclear pertencentes à classe Nimitz levam uma "população" de mais de seis mil militares, entre marinheiros, cozinheiros, especialistas |
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das mais diversas áreas, seguranças, aviadores e, é claro, os famosos sujeitos vestidos com jaquetas coloridas que correm pelo convés de vôo (também chamado de convôo) dos navios aeródromos. "Os dias são longos, com turnos de 12 horas de trabalho e 12 horas de descanso, durante os sete dias da semana. As acomodações são apertadas e cheias de gente, mas na maioria das vezes o convívio não é assim tão ruim," explica Murphy.
Scott
Murphy revela ainda que os homens, e agora também as mulheres, da
marinha tradicional e das alas aéreas, têm vidas muito diferentes,
pelo menos no que se diz respeito aos oficiais. "Agora que há
mulheres a bordo, imagino que haja outros tipos de problemas
relacionados ao convívio que não eram encontrados na época em que eu
estava no mar. Soube que cerca de 30% das mulheres abordo ficam grávidas
durante uma viagem", diz Murphy. |
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Carga preciosa |
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A
razão de existir dos porta-aviões é seu grupo aéreo. Os maiores
porta-aviões da USN chegam a transportar mais de 90 aviões de vários
tipos e que são responsáveis por quase todas as atribuições da
guerra aérea moderna. Esse número de aeronaves, e o poder de fogo que
elas proporcionam, é maior do que a quantidade e a capacidade de ataque
e defesa de muitas Forças Aéreas de vários países do mundo. |
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O F/A-18 é considerado um dos melhores aviões de ataque da atualidade, capaz de carregar vários tipos de bombas (guiadas a laser ou não), foguetes e mísseis ar-terra,ar-ar e ar-mar. Esse avião também é totalmente capaz de exercer a tarefa de defesa aérea,e a versão "E/F" do Hornet, chamado de Super Hornet, que já equipa alguns esquadrões da Marinha, certamente irá substituir o Tomcat nos convôos dos porta-aviões em poucos anos. Há também versões do F-14 modificadas para ataque e reconhecimento aéreo (essa versão é conhecida pela sigla TARPS - Tactical Airborne Reconnaissance Pod System - 'Pod' de Sistemas de Reconhecimento Tático Aerotransportado). |
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A defesa eletrônica no campo de batalha é feita pelos esquadrões equipados com aviões EA-3B Prowler, uma versão alongada e de quatro lugares do famoso A-6 Intruder. O Prowler é uma peça imprescindível em qualquer missão em que os aviões da USN estiverem envolvidos. Ele é capaz de interferir nos radares e sistemas eletrônicos de defesa inimigos e permitir que a missão seja completada com sucesso. |
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Os
porta-aviões ainda contam em sua força aérea embarcada com aeronaves
E-2C Hawkeye, especializadas em missões de alarme aéreo antecipado;
aviões S-3 Viking, usados na guerra anti-submarino e reabastecimento em
vôo, cargueiros C-2 COD (Carrier Onboard Delivery - Cargueiro de
entrega a bordo) e helicópteros SH-60 Seahawk, responsáveis por guerra
anti-submarino leve e missões SAR (Search And Rescue - Busca e
Salvamento). As táticas e as missões específicas de cada esquadrão,
os chamados de Standard Operation Procedures (SOP's - Procedimentos de
operação padrão), são de responsabilidade de cada ala aérea e são
considerados confidenciais. |
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Todos esses aviões e helicópteros são apoiados no deck de vôo por militares profissionais, identificados por suas jaquetas coloridas. Segundo Scott Murphy, as diferentes cores são usadas para identificar de forma rápida e visual as várias funções de cada um no convôo. As jaquetas verdes são usadas pelos especialistas em manutenção, as amarelas indicam os especialistas em |
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movimentar, lançar e taxiar os aviões no deck, os profissionais responsáveis por cuidados médicos e pela segurança das operações vestem as jaquetas brancas, os especialistas em combustível e reabastecimento vestem uma jaqueta roxa, os capitães vestem jaquetas marrons, os especialistas que estão recebendo treinamento têm uma jaqueta azul e amarelo e os militares responsáveis pelos armamentos e cargas externas dos aviões recebem uma jaqueta vermelha. |
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O
vôo das águias |
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O porta-aviões, na verdade, não navega sozinho. Ele lidera uma frota composta por vários navios de apoio e defesa, como cargueiros (responsáveis pelos suprimentos de comida e armamentos), tanqueiros (que transportam combustível para os navios e para os aviões), cruzadores e destroieres (armados com mísseis guiados), fragatas além de, eventualmente, um submarino. Scott Murphy, explica que as viagens da frota duram entre seis e sete meses, mas podem durar mais, dependendo das circunstâncias. "Essas eram as situações mais comuns", diz. As alas aéreas dos porta-aviões |
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estarão abordo somente durante as viagens chamadas de cruzeiros (cruises), e durante pequenos deslocamentos, conhecidos como 'work-ups'. "A tripulação do navio passa muito mais tempo a bordo do que o pessoal pertencente às alas aéreas", conta Murphy.A Marinha dos Estados Unidos mantém porta-aviões patrulhando constantemente várias regiões do planeta, como os Oceanos Atlântico, Pacífico e Indico, além do Mar Mediterrâneo e Golfo Pérsico. |
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Durante as viagens, a rotina é de muito trabalho. Para Scott Murphy, que pilotou os aviões de ataque A-6E Intruder em três porta-aviões diferentes, o USS Coral Sea (CV-43), o USS America (CV-66) e o USS Enterprise (CVN-65), entre os anos de 1984 e 1987, o mais importante para se manter o moral dos militares elevado durante uma viagem longa é o contato constante com suas famílias. Ele explica que as coisas mudaram drasticamente desde que deixou as operações embarcadas, em 87. "Naquela época, a comunicação com a família era feita por cartas escritas à mão ou ainda pela troca de fitas de vídeo ou áudio. Hoje, além do correio normal, os tripulantes têm acesso à Internet e ao uso de telefones", revela. Em todos
os lugares do mundo onde os interesses norte-americanos estiverem em
jogo os porta-aviões estarão presentes. Porém, essas fortalezas
flutuantes só podem ser chamadas assim graças aos homens e mulheres
que deixam suas famílias e amontoam-se durante meses em viagens
intermináveis, trabalhando dia e noite para garantir o poder de fogo da
mais poderosa força militar do planeta.
Fotos |
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