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Desde a 2GM, o jogo de radar entre os atacantes e os defensores tem
determinado quem controlaria os céus. O vencedor do jogo do radar ganha a
habilidade de levar a manobra e o poder de fogo que a força aérea tem contra um
inimigo ou para negar este poder ao inimigo. Aeronaves com alta capacidade de
sobrevivência contribuem diretamente para alcançar os objetivos de uma força
conjunta e a habilidade para projetar força com eficiência e efetividade
dependerá da capacidade de vencer o jogo do radar.
A capacidade de
sobrevivência de uma aeronave depende de uma mistura complexa das
características de projeto, desempenho, planejamento de missão e tática. O
esforço para fazer uma aeronave difícil de derrubar tem consumido uma grande
soma de recursos e conhecimentos dedicados ao projeto de aeronaves militares no
século XX. Desde de 1970, principalmente nos EUA, tem sido feito um esforço
especial na pesquisa, desenvolvimento, teste e produção de aeronaves furtivas,
projetadas para embotar o poder dos defensores em detectar e derrotar ou
destruir estas aeronaves.
A tecnologia furtiva minimiza a assinatura da
aeronave de vários modos, mas mais notavelmente pela redução da assinatura de
radar. Os futuros planos da USAF no F-22 e o JSF indicam a continuidade de
procurar aeronaves LO(low-observable) para os militares. O F/A-18E/F tem um tipo
limitado e diferente de furtividade. Ele marca a última fase do jogo de radar.
Por décadas, o balanço entre os atacantes aéreos e os defensores aéreos tem
mudado de um lado para outro. Contudo, a invenção do radar na 2GM mudou
radicalmente o balanço do poder aéreo. Durante a 2GM, a detecção visual de dia
não excedia 25 km. Mesmo no fim da década de 30, os defensores esperavam e
observavam pelas aeronaves atacantes. Em 1940 o radar pôde localizar as
aeronaves em aproximação a distâncias maiores que 200km. A detecção antecipada
deu aos defensores muito mais tempo para organizar suas defesas e interceptar as
aeronaves atacantes. Os radares discriminadores de altitude ajudavam a
artilharia antiaérea(AAA). Radares aerotransportados foram instalados em caças
noturnos no fim da guerra.
A princípio, as aeronaves de combate são veículos
para lançar armas e não para ter alto desempenho e beleza. As principais
características de uma aeronave de caça em termos de qualidades operacionais
devem ser:
Disponibilidade: produzido em tempo, pouco tempo na manutenção, fácil de manter, turnaroud rápido(rearmamento e reabastecimento) e poucos membros na equipe-tripulante de solo;
Efetividade: grande carga bélica, grande razão de custo operacional, pequena necessidade de recursos periféricos para realizar o trabalho, munições internas diversas e numerosas opções, grandes arcos de visão, agilidade(excesso de potência), pontaria efetiva, autonomia e alcance;
Capacidade de sobrevivência: escapar da detecção por mais tempo possível, evadir radares de aquisição, desviar-se de AAA, SAM e AAMs(furtividade), célula robusta para absorver impactos/danos de combate e permanecer vivo até voltar acompanhada de boa capacidade de reparação e manutenção. A probabilidade de uma aeronave atacar um alvo com sucesso é função da probabilidade de penetrar nas defesas aéreas inimigas, assim como a disponibilidade da aeronave em si.
Um exemplo do primeiro requisito foi o ataque surpresa israelense na Guerra
dos Seis Dias em 1997. Embora Israel tivesse 155 aeronaves de ataque, conseguiu
colocar 320 aeronaves nos aeródromos egípcios em 80 minutos ao maximizar seus
meios num esforço intenso. Os israelenses reabasteceram, rearmaram e repararam
suas aeronaves em 15 minutos após retornarem a base para poderem retornar ao
alvo uma hora após o ataque anterior.
A importância da última característica
passou a ser mais valorizada após a Guerra do Yom Kippur em 1973. Se a taxa de
perdas da força aérea de Israel pelos mísseis SAM de origem soviética fosse
considerado num hipotético conflito na Europa contra o Pacto de Varsóvia, as
forças aéreas da OTAN seriam dizimadas em 1 semana. Isso levou a pesquisa de uma
aeronave/tecnologia que diminuiria sua capacidade de detecção principalmente por
radares.
A tabela abaixo ilustra as possíveis razões de perdas de aeronaves
para as defesas aéreas e suas conseqüências para o atacante.
SORTIDAS DIAS
1% 2% 5% 10% 20% 33% Atrito / Sortida
100 50 20 10 5 3 Sortidas / Aeronave
1 0 99 98 95 90 80 67 Aeronaves Sobreviventes
4 2 96 92 81 66 41 20
7 3 93 87 70 48 21 6
10 4 90 82 60 35 11 2
15 6 86 74 46 21 4
20 8 82 67 36 12 1
30 12 74 55 21 4
40 16 67 45 13 1
50 20 61 36 8 1
60 24 55 30 5
70 28 49 24 3
80 32 45 20 2
90 36 40 16 1
100 40 37 13 1
110 44 33 11
120 48 30 9
130 52 27 7
140 56 24 6
150 60 22 5
160 64 20 4
170 68 18 3
180 72 16 3
190 76 15 2
200 80 13 2
Uma razão de atrito de 1% significa que mais de 60% das aeronaves
sobreviverão após 50 sortidas e 90% sobrevivera as 10 primeiras sortidas.
Aumentando a taxa de atrito para 5%, as aeronaves que sobreviverão as 10
primeiras sortidas serão 60% da força inicial ( e 20% significa que 90% da força
será derrubada antes de completar 10 sortidas).
Estas razões de atrito
indicam a duração em potencial de uma campanha aérea sem substituição das
aeronaves derrubadas por outras novas.
O controle de assinatura permite que
os caças obtenham alta razão de troca(inimigos mortos/amigos mortos perdas) e
melhora capacidade de sobrevivência, permitindo destruir alvos prioritários sem
perdas inaceitáveis.
A capacidade de permanecer sem ser detectado serve para
ganhar tempo para planejar e executar um ataque ótimo, após o engajamento será
difícil se manter sem ser detectado. O armamento lançado, a não ser que seja
furtivo, será detectado pelo alvo. A plataforma lançadora, manobrando para outro
ataque ou para escapar de contra ataque, será menos furtiva. O elemento surpresa
estará perdido.
|
Efetividade da Defesa
|
Os elementos do duelo de sobrevivência emergiu durante a 1GM, antes do
aparecimento do radar e reapareceu na 2GM, Guerra da Coréia, Vietnã, Guerras
Árabes-Israelenses, Malvinas e Tempestade do Deserto, entre outras. A eficiência
de um sistema de defesa depende de três elementos: Detecção, engajamento e
probabilidade de destruição/letalidade da arma(Pk). A detecção refere-se a
localização e rastreamento da aeronave inimiga. O engajamento significa que
caças estão se aproximando da aeronave ou as defesas aéreas em terra(SAM ou AAA)
estão rastreando e prontas para o disparo. O Pk significa aplicar poder de fogo
suficiente não apenas para atingir a outra aeronave mas destruí-la se for
desejável.
O defensor tenta completar cada estágio. Sem detecção, nenhum
engajamento é possível. Sem o engajamento, não existe Pk. Por outro lado, a
tarefa do atacante é frustar o defensor em cada estágio. Idealmente, o atacante
deve conseguir surpresa total e chegar no alvo sem ser detectado. Se detectado,
o piloto deve evadir ou se preparar para o engajamento. Se engajado, ele tenta
destruir ou evitar as aeronaves de caça inimigas e/ou se esquivar do fogo de
terra inimiga. Se a aeronave for atingida, o Pk depende da natureza e extensão
dos danos.
O elemento humano esta presente na detecção e controle de fogo.
Um Pk de 50% significa uma média de efetividade de 80% em cada elemento(80% x
80% x 80% = 51%). Se a detecção diminuir para 1 em 5 a efetividade da defesa cai
para 13%. Reduzindo a detectabilidade para 1 em 25 significa que apenas 1 em 40
aeronaves serão derrubadas, sem levar em conta que contramedidas serão usadas
para atrapalhar o controle de fogo. Reduzir a detectabilidade é a razão de ser
da furtividade.
Para detalhar mais, a probabilidade de ser destruído, Pk =
Pd x Pa/d x Ph/a x Pk/h, onde
Pd = probabilidade de detecção(assinatura)
Pa/d = probabilidade de aquisição devido a detecção(assinatura)
Ph/a =
probabilidade de ser atingido devido a aquisição(assinatura/contramedidas)
Pk/h = probabilidade de ser destruído depois de ser
atingido(vulnerabilidade/efetividade da arma)
A redução da assinatura tem um
papel parcial, mas importante, na probabilidade de destruição. Apesar de mais
detalhada, esta equação não esta sendo estudada.
Numa simulação de combate
feita pelo DERA entre mais de 8x8 caças contra um Su-27 modernizado e equipado
com AA-10 ou Su-35 com o R-77(dados piores) teve o seguinte resultados:
|
CAÇA |
RAZÃO DE TROCA(%) |
|
F-22 |
90 |
|
EFA |
82-75 |
|
F-15F |
60 |
|
F-15E |
55 |
|
F-15C |
43 |
|
Rafale |
50 |
|
F-18E |
45-25 |
|
Gripen |
40 |
|
M-2000 |
35 |
|
Tornado F.3 |
30 |
|
F-18C |
21 |
|
F-16C |
21 |
O F-15F é um F-15 com sistemas avançados. A chance de uma aeronave convencional sobreviver a um caça furtivo é de menos de 10%.

F-22 pode se aproximar a 15 milhas de um sistema S-300 russo
sem ser detectado. É o alcance máximo de uma JDAM de 1.000 libras(GBU-32). O
JSOW e JASSM tem alcance suficiente mas não podem ser levados internamente no
F-22. Se for levada externamente podem detectar o caça a distância maior. Um
novo míssil antiradiação poderá ser instalado no F-22 internamente.
Qual é a vantagem da redução da assinatura através de uma Seção Transversal
de Radar( Radar Cross Section - RCS) menor? Conseguir um pequeno RCS diminui a
habilidade do radar inimigo de detectar, rastrear e engajar uma aeronave.
Pequeno RCS significa que uma aeronave é detectado com atraso. O RCS de uma
aeronave varia com o aspecto e com a frequência do radar que esta tentando
rastrea-lo. De acordo com princípios teóricos, radares de frequência muito baixa
sempre são capazes de detectar estas aeronaves. Contudo, se a redução do RCS for
otimizado para frequências maiores dos radares de controle de fogo, podem ser
conseguidos benefícios significantes.
Diminuindo a assinatura de radar de
uma aeronave permite as tripulações completarem mais de uma missão antes
de se tornar vulnerável as armas controladas por radar. Isto fornece aos
atacantes a vantagem de evitar a ameaça e minimizar o tempo na "zona
vermelha"(ver desenho acima) quando a detecção leva a um disparo de um míssil
SAM. Além disso, a furtividade permite a aeronave atacante chegar perto do seu
alvo. Por exemplo, diminuindo o envelope do míssil SAM o tornará mais vulnerável
assim como o alvo que esta defendendo.
Para o propósito da análise, os
níveis de assinatura de radar de uma aeronave se divide em 5 categorias.
Começando com o menos avançado, elas são:
Assinatura convencional e grande RCS;
Nível LO1(Low Observable) e LO2 de redução de RCS na zona furtiva mas ainda não tão baixo quanto uma aeronave pode alcançar;
VLO1(Very Low observable) - Redução de RCS desejável e possível de se alcançar;
VLO2 - Extremo hipotético e que talvez não seja possível alcançar.
|
Controle da Assinatura do Radar
|
O radar funciona emitindo pulsos de energia eletromagnéticas. Se estes pulsos
atingem um objeto como uma aeronave, ela é refletida de volta criando um eco que
a antena do radar pode detectar. O intervalo de tempo entre a emissão e o
recebimento do eco de retorno fornece a distância do objeto pois a onda do radar
viaja a velocidade constante(velocidade da luz). Um computador guarda onde o eco
esta a todo momento e cria um rastreio no mostrador do operador.
As
tecnologias de baixa observabilidade, são técnicas que tem o objetivo de evitar
ou minimizar a refletividade ao radar de um objeto. A ameaça às aeronaves de
radares de detecção e rastreio vem de várias fontes:
|
Sistema de Radar |
Frequência(GHz) |
Comprimento de Onda(cm) |
|
Alerta antecipado |
0,15 - 0,2 |
150 - 200 |
|
GCI |
2 - 3 |
7,5 - 15 |
|
Medidor de Altura |
2 - 7 |
4 - 15 |
|
Aeronaves |
8 - 20 |
1,5 - 4 |
|
Mísseis ar-ar |
10 - 20 |
1,5 - 3 |
|
SAM transportável | ||
|
Aquisição |
0,15 - 3 |
10 - 200 |
|
Rastreio |
5 - 10 |
3 - 6 |
|
SAM móvel | ||
|
Aquisição |
2 - 6 |
5 - 16 |
|
Rastreio |
5 - 13 |
2,3 - 6 |
|
Artilharia antiaérea |
14 - 16 |
1,8 - 2 |
Como o alcance do radar é razão da raiz de quarta potência do RCS (RCS^1/4) uma ordem de magnitude(10x menor) na redução do RCS, por exemplo, dará uma redução de 44% no alcance de detecção:
R1 / R2 = [ RCS1 / RCS2 ] ^1/4 = [ 1/10 ] = 0,56 R = distância
A área de busca do radar será reduzida em 32% e o volume em 18%. Uma redução no RCS de vários centésimos é necessário para ter significância tática(i.e. 82% no alcance de detecção).
|
Contribuidores para o RCS
|
No fim da década de 50 foi observado que uma redução bem grande do RCS
necessário para garantir benefícios operacionais não podem ser conseguidas
simplesmente cobrindo uma aeronave com RAM. Muitas características pequenas e
aparentemente insignificantes de uma aeronave pode gerar retornos de radar que
ainda são detectáveis.
O RCS de uma plataforma é determinado pela magnitude
de vários contribuintes distintos:
Forma total da plataforma e componentes. O tamanho total contribui pouco;
Ângulo de aspecto ou orientação com a linha de visada do radar respectivo;
Razão da onda do radar em relação ao tamanho do alvo(frequência do radar);
Polarização da antena transmissora e receptora;
Qualidade e constituição da superfície do alvo(RAM, detalhes incluindo qualidade da superfície e propriedades eletromagnéticas do material da estrutura).
Os métodos de controle do RCS dependem principalmente do tamanho dos componentes eletrocondutivos sendo iluminados comparados com o tamanho do sinal da onda do radar iluminando. Se a onda de radar for muito menor que o tamanho do alvo e se for plano o suficiente, ela refletirá como uma onda de luz no espelho.
A configuração da aeronave deve ser modificada de acordo com os princípios da
geometria ótica tais como uma grande reflexão é desviada para uma região sem
importância do espaço(e não de volta para o radar). O projetista deve evitar
superfícies planas, cilíndricas, parabólicas ou cônicas em direção normal a
direção do radar iluminador. Estas formas tendem a concentrar a energia e
fornecem um grande retorno de radar.
A forma da aeronave é proveitosa em uma
grande número de frequências mas em um número limitado de ângulos de aspecto.
Para caças, o cone frontal dos ângulos é o de maior interesse, e grandes
retornos podem ser direcionados deste setor em várias direções. Uma aeronave
pode ser moldada para que a maioria das ondas de radar possam ser espalhadas e
não refletidas de volta ao transmissor. Bordas de ataque e de fuga, superfícies
de controle, bordas das entradas de ar, falhas entre portas, etc., podem ser
alinhadas para assegurar que a energia não esteja, inadvertidamente, sendo
refletida de volta para o transmissor e que seja concentrada em poucas direções.
Isto dará ao radar inimigo um ótimo retorno quando o alinhamento for ideal, mas
um retorno muito fraco nas próximas varreduras.

Alinhamento de superfície no F-22 mostrando a concentração de
reflexão em algumas direções. A forma facetada e aparência angular com
alinhamento de painéis e bordas das portas curvadas e alinhadas na mesma direção
das bordas da aeronave tem o objetivo de evitar mostrar ângulos retos para
radares. O RCS é otimizado para ser muito pequeno na maioria das direções e
ótimo em apenas algumas.
Métodos da Forma para Reduzir o RCS
Existem duas possibilidades de usar a forma de uma plataforma para diminuir o
retorno de radar refletindo o mínimo de energia para o receptor. Uma delas é a
geometria de superfície como a configuração facetada que é o uso superfícies
planas para minimizar a reflexão normal ao radar iluminador. Outro método é
diminuir o tamanho total da plataforma mas isso influência pouco no RCS.
Quanto menor a superfície exposta as ondas de radar,
menor a probabilidade de ser detectado pelo inimigo. A verdade é mais
complexa pois a superfície exposta em um certo momento depende do ângulo de
aspecto e é então tratado como um parâmetro dinâmico. Em baixos ângulos de
aspecto a assinatura do alvo aumenta, enquanto em grandes ângulos aumenta até
atingir o máximo quando o alvo esta perpendicular ao radar iluminador. Uma
estrutura furtiva é uma estrutura que tem a peculiaridade de refletir as ondas
de radar para outras direções que não o transmissor. Um projeto de aeronave deve
eliminar partes redundantes que não contribuem de forma crucial para o
desempenho em vôo.
A forma peculiar do F-117 e B-2 é o resultado de
técnicas de geométrica necessárias para minimizar o RCS. Curvas de superfícies
em corpos de aerodinâmica convencional agem como dispersadores isotrópicos,
refletindo ondas de radar de qualquer ângulo e fornecem a um operador de radar
um sinal claro. Superfícies de ângulo reto na raiz das asa e cauda também são
bons refletores.
Uma superfície plana tem um RCS extremamente grande num
ângulo de 90 graus ao raio de radar. Se ela for inclinada ou desviada do raio em
uma dimensão, seu RCS reduz substancialmente: a reflexividade é reduzida por um
fator de 1.000(30dB) num ângulo de 30 graus. Mas se uma superfície é girada para
outra direção formando um eixo diagonal - inclinada e curvada para trás - o RCS
é reduzido ainda mais e uma redução de 30dB é conseguida com um ângulo de 8
graus.
Numa aeronave furtiva, as superfícies e bordas são inclinadas no
plano vertical e curvadas no plano horizontal, o ângulo é escolhido para
maximizar a inclinação e curvatura relativa ao feixe de radar iluminando na
parte frontal. As estruturas furtivas do F-117 são compostas de uma série de
planos achatados, ou facetados, nenhum dos quais estão no mesmo plano ou tem a
mesma orientação. Esta forma prismática significa que um corpo iluminado por um
radar, apenas a superfície diretamente perpendicular ao raio refletira para o
radar. As outras faces separam as ondas de radar e direcionam para longe de
radar emissor.
A curvatura do B-2 e YF-23 são uma modificação deste
conceito. Suas formas refletem a inclinação e curvatura em ângulos de incidência
de maior interesse. A principal diferença é que os computadores mais rápidos
permitem resolver o problema de forma mais fina e as formas facetadas se tornam
menores até elas se tornarem fundidas em curvas. O conceito da Northrop evita
qualquer descontinuidade ou rugas, permitindo que superfícies curvas fluírem
suavemente juntas. Isto evita qualquer reflexão da corrente de superfície.
O
RCS é determinado por uma fórmula usando dados de três componentes: a área
geométrica da seção cruzada, o total de energia refletida e a direção da energia
refletida.
O nível de diretividade é função da taxa de energia real
refletida, ao valor isotrópico teórico da dispersão. O valor de energia
refletida da fonte de propagação - um valor conhecido como densidade de
potência, é determinado ao multiplicar a densidade de potência da onda
transmitida para a superfície refletora pelo RCS. Directividade é a chave onde a
soma de superfícies refletoras aumentam ou reduzem o RCS comparado com a seção
cruzada geométrica.
A fórmula básica que produz a reflexividade de objeto de
2 dimensões foi estudada inicialmente por James Clark Maxwell e foi aperfeiçoada
pelo alemão Arnold Johanes. O físico soviético Pyotr Ufimtsev redescobriu e a
publicou em 1966 no livro "Method of Edge Waves In The Physical Theory of
Diffraction". Os russos não aproveitaram o conceito. O livro foi traduzido pelo
Systems Command Foreign Technology Division da USAF em 1971. Denys Overholsen do
Skunk Works descobriu os textos e desenvolveu um software(ECHO-1) para prever o
RCS de aeronaves com painéis planos e era compatível com a capacidade
computacional da época. A década de 70 ofereceu novos hardwares e softwares que
permitiam maiores desenvolvimentos na furtividade como o Fly-By-Wire(FBW) que
permitiu viabilizar formas aerodinamicamente impossíveis. O programa ECHO-1 foi
rodando em um mainframe e permitia criar a forma de uma pequena aeronave. A
Lockheed aplicou o software nos estudos da DARPA para criar a aeronave Have
Blue, predecessor do F-117.
O objetivo da Lockheed ao criar o F-117 era
projetar uma aeronave que pudesse atravessar o mesmo local de um SR-71 mas numa
altitude e velocidade que permitisse o lançamento acurado de armas.
O
projeto Harvey de 1975 da General Dynamics e Northrop propunha um demonstrador.
A Lockheed ganhou a concorrência no valor de 45 mil dólares em 1976 para um
demonstrador com o codinome Have Blue. A primeira aeronave voou em 1978.
Sua única característica foi direcionada pela necessidade de criar uma
plataforma que pudesse ser modelada pelos computadores disponíveis. Eles só
podiam computar o RCS de uma forma que tinha um número limitado de superfícies
planas e não podia computar o RCS de grandes cavidades como as entradas de ar.
Então, ele foi projetado com formas facetadas, chamada Diamond Hopeless,
com um número mínimo de superfícies planas. As entradas de ar foram cobertas com
grades que imitavam eletromagneticamente superfícies planas.
As duas
aeronaves construídas caíram mas provaram o conceito e o programa Senior
Trend foi lançado em 1978. O objetivo foi implementar a tecnologia do
Have Blue em uma aeronave operacional - o F-117.
A tecnologia
usada no B-2 e F-22 e JSF estão relacionadas com as usadas no F-117. A forma e
material RAM ainda são críticos na furtividade. As principais mudanças estão
relacionadas com os meios de computação usados para criar formas furtivas e o
uso de RAM se tornou mais seletivo. Formas compactas e fundidas suavemente em
curvaturas continuas precisam de grande capacidade de predição e computacional
para determinar o RCS. A Lockheed começo a criar formas curvas do seu modelo de
ATF e teve que deixar de usar os software analíticos. A manobrabilidade e
velocidade supersônica melhorou e passaram a testar as formas no estande de
radar da companhia e o desempenho foi bom. A configuração da Lockheed passou
rapidamente de facetado para suave. A configuração da fase de avaliação
tinha formas curvas e apenas o nariz era facetado. Antes de 1985 eles não sabiam
como fazer um radome furtivo curvo.
Desde o advento do F-117 tem sido
importante os efeitos do projeto da entrada de ar e exaustor. Os
supercomputadores atuais podem trabalhar com o fenômeno de reflexão dentro do
ducto junto com o efeito do RAM. A idéia de uma entrada de ar furtiva é causar o
máximo possível de reflexões, usando RAM para absorver a energia em cada
reflexão. O número de reflexões pode ser aumentado sem sacrificar a
aerodinâmica.
Uma cavidade pode ser projetada com um RCS alto para minimizar
a razão comprimento/largura. Mas se não tiver cobertura internamente ela não
funciona. A energia que sai funciona como um radiofarol.

Uma
entrada de ar curvada aumenta o número de vezes que uma energia de radar ira
refletir na parede do ducto antes de reirradiar. Isto não faz diferença se o
ducto não for coberto com RAM. Se for usado RAM, a absorção da energia é
proporcional ao número de reflexos e efetividade do RAM.
O RCS frontal do YF-12 foi dirigido pela borda da entrada de ar, que não pode
ser tratada efetivamente ou curvada para trás e pelas reflexões das saídas de
ar. O seu RCS é similar a um homem em pé(1m^2). Apesar de não prevenir a
detecção, ela atrasa ao ponto de qualquer lançamento de míssil ser um lançamento
traseiro que o YF-12 pode facilmente fugir. A limitação da entrada de ar foi a
limitação da furtividade na década de 60. Por não ser impossível calcular o RCS
acuradamente, era impossível o balanceamento do RCS onde uma parte da fuselagem
não era dominante.
Esta limitação para a furtividade era prática e não
teórica. Naquela época os trabalhos eram todos práticos e artesanal.
As superfícies de controle ou aerofólios como o profundor e leme
devem ser projetados de modo a terem um pequeno perfil durante o vôo. O ideal é
elimina-los num projeto sem cauda com TVC(vetoramente de empuxo) num projeto
instável.
Qualquer carga externa aumenta o arrasto
e o RCS e devem ser levadas internamente. Qualquer objeto apontando na fuselagem
podem afetar e muito o RCS. O B-2 precisa de objetos do tamanho de uma garrafa
de Coca-Cola para ser detectado pelos radares de controle de
tráfego.
O efeito destas técnicas podem ser surpreendente. Um caça
convencional tem um RCS de 6 metros quadrados. Um bombardeiro B-2 é muito maior
e com as tecnologias VLO ele tem apenas 0,0014 metros quadrados de RCS
equivalente a uma bola de gude grande. Um Tomahawk projetado em 1970 com
técnicas simples de LO tem um RCS de 0,05 metros quadrados e o míssil cruise
furtivo AGM-129 tem um RCS ainda menor. Um pássaro em vôo tem um RCS em torno de
0,01 metros quadrados. Um alvo aéreo de RCS de 0,1 metros quadrados é muito
difícil de ser rastreado por um radar e mesmo uma bateria de SAM pode detectar,
mas pode ser incapaz de trancar no alvo acuradamente para engajá-lo. Usando
apenas facetamento de superfície o Mako AT-2000 tem um RCS de 1m^2.

Figura. RCS de aeronave e alcance de detecção. Um radar de
comprimento de onda de 3-10 cm pode detectar o F-117 a 15 km de distância o que
dá 1 minuto de vôo voando a 900 km/h e a 3.500m. O F-117 será detectado num
ângulo de 25 graus de frente e para cima.
Comparação de RCS de Várias Aeronaves:
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A História das Três Formas |
As aeronaves de combate atuais empregam várias técnicas de redução de RCS, que tem três formas diferentes. As formas Fuzzball, Pacman, e Bowtie são símbolos simplificados para padrões de assinatura. A assinatura real é considerada mais complexa, certamente, e informações sobre ela é restrita. As 3 formas são usadas para descrever com um padrão geral de redução de RCS da uma vantagem revolucionária a um atacante.

Fuzzball . Uma aeronave convencional, não furtiva, tem essa assinatura, que é constante em todos os aspectos. É uma forma ideal para aeronaves furtivas, com redução uniforme em todos os ângulos. Ela pode conseguir resultados marcantes no nível inferior. Teoricamente, um Fuzzball perfeito com uma redução uniforme de RCS de -55 decibéis pode negar o retorno de radar. Contudo uma furtividade com RCS Fuzzball é puramente hipotético e é usado por motivos ilustrativo.
Pacman . Este tipo de assinatura é uma aproximação simples do RCS de uma aeronave convencional reformada para reduzir a assinatura apenas no aspecto frontal. Em certos parâmetros, as modificações podem reduzir o RCS e melhorar a capacidade de sobrevivência. Por exemplo, o F/A-18EF, Gripen, Rafale e Typhoon enfatizarão a furtividade frontal. Aplicando RAM nas superfícies frontais, entradas de ar, ductos e canopi e minimizando a carga de armas e outra protusões são algumas das medidas para diminuir o RCS no ângulo frontal. O aspecto lateral e traseiro não deve ser reduzido. Então, uma aeronave retrofitada tem uma assinatura reminescente da criatura do jogo de vídeo game da década de 80, o Pac Man.
Bowtie . Esta assinatura hipotética é menor no aspecto frontal e traseiro em relação ao lateral. Isto forma algo como uma gravata borboleta(Bowtie). De forma simplificada, a forma Bowtie teórica tem uma redução de 15 dB no RCS no aspecto frontal e traseiro. O F-117, B-2, F-22 e JSF foram projetados para ser uma aeronave furtiva que é LO em todos os aspectos. Hipoteticamente, uma aeronave realmente furtiva pode conseguir seu menor nível de assinatura no aspecto frontal e traseiro.
Operações de aeronaves furtivas deixaram a realidade dos simuladores de
computador e testes de resistência do combate a quase uma década, em 1991. As
operações aéreas na Tempestade de Deserto mostraram que uma reduzida RCS
permitiu ao F-117 cumprir suas missões num ambiente de defesa aérea que deveria
ser perigoso para aeronaves de assinatura convencional.
O F-117 realizou as
missões mais perigosas na primeira noite de guerra. Os radares de alerta aéreo
iraquianos, que cobriam o sul da fronteira além da Arábia Saudita, foram
designados para detectar aeronaves atacantes que se aproximavam do espaço aéreo
do Iraque. O setor de operações central deveria coordenar o rastreio dos
atacantes, alertar baterias SAMs e caças assim que seus perfis emergirem.
Um
sobrevivente descreveu que os F-117 "voavam através, entre e dentro do coração
de uma defesa aérea totalmente operacional". Ao realizar isto, eles atacaram
alvos que enfraqueceram as defesas aéreas do inimigo e o comando e controle
inimigo, com efeitos importantes nas operações aéreas subsequentes. A
superioridade aérea foi conseguida ao se atacar o cérebro do inimigo e não sua
força aérea no ar ou em terra como era feito antes do advento da
furtividade.
No todo, o F-117 realizou 1.297 sortidas sem nenhuma perda. Sem
nenhum atrito, o comando estava livre para empregar o F-117 contra alvos de alto
valor.

Caça
genérico iluminado por um radar de 3cm de onda, varrido de frente para cauda.
Inclui reflexão da superfície e difração de quinas e exclui cantos, pontas e
reflexões duplas. Até 30 graus a entrada de ar domina a assinatura pois suas
bordas estreitas causam difração forte e sua forma e margens não inclinadas. A
60 graus a maior parte do RCS é devido a borda de ataque da asa. A adição de
cabides e armas pode se vista como sendo maior em 40 e 140 graus. A escala é
logarítmica e não linear. Em azul esta o RCS ao se adicionar armamentos e
tanques de combustível externo.
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