Vida na Terra foi uma aberração, dizem cientistas
13/ 04/ 2003 - Más notícias para as pessoas que caçam extraterrestres: os
planetas rochosos e acolhedores que são essenciais para sustentar a vida podem
ser raras aberrações cosmológicas: o único motivo pelo qual estamos aqui é
porque alguma estrela próxima explodiu perto do nosso jovem Sol exatamente
quando o sistema solar estava se formando, afirma um matemático aplicado.
Thomas Clarke, da Universidade da Flórida Central em Orlando, prevê que a
grande maioria de planetas da Via Láctea é formada por gigantes de gás como Júpiter,
com atmosferas hostis e sem superfície sólida sobre a qual seria possível
caminhar.
''Na média, um sistema solar consiste em um extenso cinturão de asteróides
rochosos e alguns planetas e luas gigantes de gás'', diz Clarke. ''É uma
conclusão meio decepcionante.
''Os astrônomos concordam que os planetas e as luas do nosso sistema solar se
formaram em um disco giratório de gás e poeira ao redor do Sol. Nas regiões
externas, gases frios e espessos se condensaram nos gigantes Júpiter, Saturno,
Urano e Netuno. Nas regiões internas, partículas de poeira derreteram e se
colaram, formando bolhas de rocha quente que esfriaram e se fundiram para formar
Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Mas não está claro por que a rocha se fundiu
-o Sol então não era muito mais quente que hoje.
Os astrônomos acreditam que o calor extra pode ter vindo do alumínio-26
radioativo que foi borrifado por uma estrela que explodiu a cerca de 50 anos-luz
de distância, quando os planetas estavam se formando.
Produtos da decomposição do isótopo, que tem uma vida média de 720 mil anos,
foram encontrados em meteoritos. Na conferência de Ciência Planetária e Lunar
realizada na semana passada perto de Houston, Texas, Clarke sugeriu que sem o
calor do alumínio a Terra não teria se formado.
Enquanto rochas do tamanho de asteróides teriam se agregado no interior do
sistema solar, elas não poderiam ter-se fundido e agregado para formar os
planetas.
Segundo os cálculos de Clarke, as rochas sólidas simplesmente passariam voando
umas pelas outras ou colidiriam e ricocheteariam como bolas de sinuca. Somente
rochas derretidas e pegajosas se deformariam e perderiam energia em uma colisão,
permitindo que se colassem e aumentassem, ele diz.
Mas a probabilidade de uma estrela explodir exatamente no momento e no local
certos é muito pequena. As estrelas só explodem três ou quatro vezes por século
em nossa galáxia. Clarke estima que a probabilidade de uma supernova acontecer
a 50 anos-luz de qualquer novo sistema solar que está formando planetas é de
apenas uma em 100. ''Por isso seria de esperar que apenas uma fração dos
sistemas planetários tenha planetas terrestres'', diz Clarke.
Ele admite que um planeta pequeno e próximo como Mercúrio poderia se formar
sem ser aquecido por alumínio radioativo, pois poderia estar suficientemente
perto de sua estrela para que a rocha se fundisse. Mas esses planetas
provavelmente permaneceriam quentes demais para que a vida prosperasse. A uma
distância maior seria possível apenas a formação de asteróides e gigantes
de gás geladas.
Os astrônomos já descobriram mais de cem planetas em outros sistemas solares.
Todos são gigantes gasosos, que as atuais técnicas astronômicas têm melhores
condições de detectar.
A Nasa e a Agência Espacial Européia têm planos de missões ambiciosas para
descobrir planetas do tamanho da Terra, mas se Clarke estiver certo talvez não
encontrem o que estão procurando. ''É um pouco deprimente pensar que planetas
como a Terra são tão especiais'', diz Clarke.Sua idéia é especulativa, e ele
espera testá-la em simulações de computador. Mas caso se confirme poderá
ajudar a explicar por que até agora não há sinais de civilizações alienígenas.