Telescópio mostra vendavais e tempestades na atmosfera do planeta Netuno
21/ 04/ 2003 - Tempestades gigantescas e ventos de 960 quilômetros por hora
compõem o cenário assustador revelado na semana passada pelo telescópio Keck
2, situado no Havaí. Esse pesadelo climático está bem longe daqui, ou a 4,5
bilhões de quilômetros da Terra. Foi observado em Netuno, o segundo planeta
mais distante do sistema solar, situado na frente apenas de Plutão. Além de
revelar características de Netuno (confira o quadro acima), a observação teve
um significado especial para os astrônomos: foram as melhores imagens de um
objeto celeste longínquo já obtidas a partir da superfície da Terra.
Os detectores de infravermelho do telescópio conseguiram ''ver'' através da
espessa atmosfera do planeta. Ali, o calor gerado pela contração do núcleo do
planeta provoca violentas tempestades ao se chocar com os gases gelados que
alcançam temperaturas de 200 graus centígrados negativos. Netuno se encontra tão
distante que só veio a ser fotografado de perto em 1989, pela sonda Voyager 2.
Ele convive com furacões de mais de 13 mil quilômetros de extensão, dimensão
quase equivalente ao diâmetro da Terra. Onde consegue tanta energia para
sustentar fenômenos climáticos tão violentos é um mistério para os astrônomos.
O telescópio havaiano também revelou detalhes da lua Titã, o satélite de
Saturno conhecido pela semelhança com a Terra primitiva - com atmosfera rica em
nitrogênio misturado com um pouco de metano. O reflexo da luz solar no nitrogênio
cria uma névoa alaranjada que dificulta o estudo da superfície desse corpo
celeste. As fotos mostraram aspectos do terreno que podem indicar a presença de
oceanos de nitrogênio líquido e o impacto de meteoritos. Titã será visitado
em 2004 pela sonda Huygens, em viagem para Saturno a bordo da nave Cassini,
construída pela Nasa e pela Agência Espacial Européia.
Netuno está fora da rota da Cassini. ''É uma vantagem poder estudá-lo daqui
da Terra, sem ter de esperar que uma nave passe por ele'', afirma o astrônomo
Bruce Macintosh, do Laboratório Lawrence Livermore. O planeta foi fotografado
em 1989 pela Voyager 2 e, se depender do programa de exploração da Nasa -
abalado pela perda recente das sondas Mars Climate Orbiter e Mars Polar Lander
-, não receberá visitas tão cedo.
Grandes números
Distância: 4,5 bilhões de km da Terra
Diâmetro: 49 mil km (4 vezes o da Terra)
Atmosfera: 85% de hidrogênio, 13% de hélio e cerca de 2% de metano e outros
gases
Fonte: Época online