Raios cósmicos podem causar câncer
Astronautas podem desenvolver catarata devido à radiação


Os raios cósmicos
são gerados em explosões de supernova como a que resultou na Nebulosa
de Caranguejo.
Os raios cósmicos são a radiação de mais alta energia encontrada no espaço.
Eles consistem no núcleo de átomos -- sem o envoltório de elétrons --
acelerados a 95% da velocidade da luz por explosões de supernova, raro fenômeno
no qual o material constituinte de uma estrela é disperso no espaço. A maioria
desses raios é formada de elementos leves, como núcleos de hidrogênio e hélio,
mas cerca de 1% é formado de elementos pesados e estáveis como o ferro.
Já que não apresentam elétrons, os raios cósmicos possuem carga positiva e
carregam positivamente as células que atravessam. A ionização da água e
outros componentes celulares pode provocar rupturas em filamentos do DNA, que
geralmente são revertidas por mecanismos de auto-regeneração celular. O maior
risco é que células com carga genética defeituosa se multipliquem e
configurem uma forma de câncer.
A alta incidência de catarata em astronautas é outro efeito da radiação
espacial, constatado em recente estudo conduzido por Francis Cucinotta,
pesquisador no Centro Espacial Johnson. A análise de 48 casos da doença em
astronautas concluiu que há aumento significativo do número de ocorrências e
incidência precoce em astronautas expostos por mais tempo à radiação. A
equipe desenvolve possíveis soluções - como o uso de óculos com filtro
ultravioleta - e de antioxidantes (vitaminas C e E, já empregadas no tratamento
de catarata senil).
A Nasa estuda o uso de materiais com alta concentração de hidrogênio, como o
polietileno, para aprimorar o escudo que protege a Estação Espacial
Internacional da radiação cósmica. A Nasa também monitora os níveis de
concentração de radiação para que os astronautas se desloquem para áreas da
espaçonave ou da estação espacial, sujeitas a índices menores de radiação.
Fonte: Raquel Aguiar - ‘Ciência Hoje’