Raios cósmicos podem causar câncer

 

 

 

 

Astronautas podem desenvolver catarata devido à radiação


28/ 04/ 2003 - A 'cobaia' do primeiro experimento realizado em órbita para estimar os efeitos da radiação espacial sobre órgãos internos do corpo humano se chama Fred. Desenvolvido pela equipe de Gautam Badhwar, pesquisador no Centro Espacial Johnson da Nasa, Fred consiste em um modelo anatômico similar aos adotados em experimentos radiológicos na Terra.

Ele reproduz, com mesmo tamanho e peso, a cabeça e tronco de um homem adulto. A pele sintética recobre ossos humanos e órgãos feitos de um plástico que simula sua densidade original. O protótipo -- que a Nasa define como um 'torso fantasma' -- foi apelidado de Fred pelos astronautas que o levaram para uma missão de quatro meses na Estação Espacial Internacional.

Fred retornou para a Terra em agosto de 2001, mas a Nasa ainda não divulgou resultados conclusivos do experimento. O objetivo era monitorar a penetração no corpo humano da radiação espacial, a que os astronautas estariam expostos em longas missões espaciais. Essa radiação, que tem efeitos imediatos como vermelhidão da pele e desidratação, também aumenta a incidência de catarata e pode danificar o material genético das células, o que pode provocar câncer.

 


Os raios cósmicos são gerados em explosões de supernova como a que resultou na Nebulosa de Caranguejo.

 

Os raios cósmicos são a radiação de mais alta energia encontrada no espaço. Eles consistem no núcleo de átomos -- sem o envoltório de elétrons -- acelerados a 95% da velocidade da luz por explosões de supernova, raro fenômeno no qual o material constituinte de uma estrela é disperso no espaço. A maioria desses raios é formada de elementos leves, como núcleos de hidrogênio e hélio, mas cerca de 1% é formado de elementos pesados e estáveis como o ferro.

Já que não apresentam elétrons, os raios cósmicos possuem carga positiva e carregam positivamente as células que atravessam. A ionização da água e outros componentes celulares pode provocar rupturas em filamentos do DNA, que geralmente são revertidas por mecanismos de auto-regeneração celular. O maior risco é que células com carga genética defeituosa se multipliquem e configurem uma forma de câncer.

A alta incidência de catarata em astronautas é outro efeito da radiação espacial, constatado em recente estudo conduzido por Francis Cucinotta, pesquisador no Centro Espacial Johnson. A análise de 48 casos da doença em astronautas concluiu que há aumento significativo do número de ocorrências e incidência precoce em astronautas expostos por mais tempo à radiação. A equipe desenvolve possíveis soluções - como o uso de óculos com filtro ultravioleta - e de antioxidantes (vitaminas C e E, já empregadas no tratamento de catarata senil).

A Nasa estuda o uso de materiais com alta concentração de hidrogênio, como o polietileno, para aprimorar o escudo que protege a Estação Espacial Internacional da radiação cósmica. A Nasa também monitora os níveis de concentração de radiação para que os astronautas se desloquem para áreas da espaçonave ou da estação espacial, sujeitas a índices menores de radiação.


Fonte: Raquel Aguiar - ‘Ciência Hoje’