Lista de asteróides perigosos sai até 2008

 

 

 

 

Especialistas garantem que não há bólidos em rota de colisão com a Terra

20/ 02/ 2003 - Os astrônomos estimam que nas cercanias da Terra existam cerca de 1.100 asteróides com dimensões suficientes para, em caso de impacto, causar a extinção da espécie humana.

Até 2008, todos esses candidatos a 'assassinos espaciais' devem estar catalogados, o que afastaria por ora o risco de um desastre em escala planetária.

Esse é o prognóstico apresentado por David Morrison, do Centro de Pesquisa Ames da Nasa (agência espacial americana), na 169ª Reunião Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que terminou nesta terça-feira em Denver, no Estado do Colorado.

O principal programa responsável pela identificação de todos esses asteróides matadores (com mais de 1 km de diâmetro) é o Spaceguard Survey, conduzido pela Nasa e pela Força Aérea americana.

Iniciado em 1998, ele já catalogou cerca de 700 NEOs (Objetos Próximos da Terra, em inglês), do total estimado de 1.100.

'A boa notícia é que, embora muitos desses asteróides venham a se chocar com a Terra um dia, nenhum deles está num curso de colisão atualmente', disse Morrison.

'Quando tivermos todos esses asteróides catalogados, provavelmente vamos descobrir que nenhum deles deve nos atingir -e teremos removido, para a nossa geração, a preocupação sobre essa ameaça particular à sobrevivência da civilização.'

Mesmo assim, há muitos corpos menores que poderiam fazer o estrago equivalente ao de uma ou duas bombas nucleares. Dependendo do local da queda, isso pode significar milhões de mortes.

Os cientistas reunidos em Denver debateram o que fazer quando a Spaceguard Survey estiver concluída.

Embora cada um tenha sua opinião sobre o quanto a mídia está alertando a população ou simplesmente alarmando o público, há algum consenso em termos dos próximos passos.

Um deles é prosseguir com o rastreamento dos céus, procurando objetos com menos de 1 km. Por serem menores, esses asteróides são mais difíceis de localizar.

Outra ação, segundo os cientistas, é prosseguir o desenvolvimento de tecnologia espacial para o caso de algum asteróide de fato estar rumando para a Terra.

Morrison parece convencido de que a combinação desses elementos pode evitar futuras catástrofes para a Terra -certamente já será uma chance melhor do que a dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

O mapeamento desses objetos daria à humanidade, no caso de um impacto, ao menos algumas décadas de preparação.

No caso de um cometa de longo período (que só cruza a órbita da Terra uma vez em centenas ou milhares de anos e passa a maior parte do tempo longe demais para ser detectado), porém, o aviso seria muito em cima da hora.

Seria provavelmente inútil, se depender do que os cientistas já conseguem imaginar para desviar ou destruir um bólido assassino - desde o uso da força bruta, com a aplicação de bombas nucleares, até soluções elegantes mas lentas, como a mudança do albedo (refletividade) de um asteróide, para fazer com que o impacto do bólido com a luz do Sol mude sua trajetória o suficiente para desviá-lo da rota de colisão com a Terra.

 


Fonte: Folha de São Paulo