Mau tempo adia lançamento final do foguete Ariane 4

Enviado em Quarta 12 fevereiro de 2003

 

 

 

Principal produto da indústria espacial européia deve ser substituído por nova versão, que tem registrado problemas.

O mau tempo provocou nesta quarta-feira o adiamento do último lançamento do foguete Ariane 4, da Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês).

Nas primeiras horas do dia, o foguete deveria ter partido de Kourou, na Guiana Francesa. "As condições do vento não estão adequadas para o lançamento", disse Jean-Charles Vincent, diretor da empresa Arianespace.

O foguete Ariane 4, principal produto da indústria espacial européia, deve abrir caminho para uma nova versão, o Ariane 5, capaz de colocar objetos mais pesados em órbita.

Por isso, os responsáveis pelo programa espacial europeu afirmam que o 116º e último lançamento do foguete Ariane 4 vai marcar o fim de uma era para a ESA e para a Arianespace.

Sombra

Os organizadores pretendiam transformar o lançamento do foguete em um evento triunfante, mas o acidente com o ônibus espacial Columbia, em 1º de fevereiro, e problemas com o Ariane 5 criaram uma sombra sobre o projeto.

Até agora, 14 foguetes Ariane foram lançados. Dois deles explodiram, e outros dois colocaram satélites na órbita errada.

O último problema ocorreu em 11 de dezembro, quando a nova versão do foguete saiu do trajeto previsto e teve de ser destruída minutos depois do lançamento.

Poucas semanas depois, a ESA foi obrigada a adiar o projeto Rosetta, de custo estimado em quase US$ 1 bilhão, devido aos problemas com o Ariane 5.

A Agência Espacial Européia levou dez anos e gastou mais de US$ 7 bilhões na nova versão do Ariane, que deveria garantir à Europa o domínio no comércio de foguetes.

Os problemas com o Ariane 5, no entanto, deram fôlego aos principais concorrentes da empresa européia que produz o foguete: a Lockheed Martin, dona do Atlas 5, e a Boeing, responsável pelo Delta 4.

Em meio à competição com os concorrentes, a empresa Arianespace enfrenta ainda um período de restrições em seu orçamento, a crise no mercado de satélites e a nova onda de dúvidas sobre os riscos de um programa espacial.