Estrela jovem do sistema T Tauri pode ter sido ejetada

 

 

 

01/ 02 / 2003 - Através da análise de dados dos últimos 20 anos, obtidos com o radiointerferómetro Very Large Array (VLA) da National Science Foundation (NSF, EUA), os astrônomos descobriram que uma pequena estrela de um sistema múltiplo na constelação do Touro parece ter sido ejetada do sistema após um encontro próximo com um dos componentes de maior massa do conjunto, presumivelmente uma estrela dupla compacta. É a primeira vez que um tal fenômeno é diretamente observado.


Trajeto da pequena estrela (bola vermelha) do sistema múltiplo T Tauri. A seta indica a posição do sistema duplo compacto (bola amarela).

 



No encontro da Sociedade Americana de Astronomia, que teve lugar em Seattle (EUA), uma equipa de astrônomos apresentou os resultados de uma pesquisa, efetuada ao longo de 20 anos, sobre um sistema múltiplo de estrelas jovens na constelação do Touro, a uma distância de 450 anos-luz. Este conjunto de estrelas jovens é constituído pela conhecida estrela T Tauri (a estrela protótipo das estrelas jovens de pequena massa) localizada a norte, e por um sistema de estrelas situado a sul, orbitando ambos em torno do centro de massa do conjunto. O sistema de estrelas localizado a sul é, por sua vez, composto por uma pequena estrela e por aquilo que se julga ser um sistema binário compacto.

Através da análise de dados obtidos com o radiointerferómetro Very Large Array (VLA) entre 1983 e 2001, descobriu-se que a pequena estrela pertencente ao subsistema do sul parece ter sido ejetada após um encontro próximo com o binário compacto. Como resultado deste encontro, a estrela terá sido acelerada, encontrando-se agora numa órbita mais remota, mas podendo mesmo vir a escapar do sistema.

A figura ao lado mostra que a estrela em causa seguia uma trajetória elíptica em torno do binário a uma velocidade de cerca de 10 km/s. Posteriormente, entre 1995 e 1998, passou muito próximo do sistema binário, a uma distância equivalente a cerca de 2 vezes a distância da Terra ao Sol. Em resultado desta passagem, a estrela alterou a sua trajetória, tendo duplicado a sua velocidade. Observações futuras, digamos nos próximos 5 anos, permitirão saber se esta estrela escapa ou não ao sistema.

Apesar das simulações feitas com computadores há muito terem demonstrado que este tipo de interação é provável, a observação destes acontecimentos não é de todo trivial uma vez que ocorrem em intervalos de tempo muito longos, na ordem dos milhares de anos. Assim, a oportunidade de estudar a ejeção duma estrela de um sistema múltiplo pode fornecer testes críticos para as teorias que estudam a dinâmica destes conjuntos.

Uma estrela jovem, ainda no seu processo de formação, que é ejetada do sistema no qual nasceu poderá, assim, não adquirir a massa que lhe estava destinada, ficando comprometido o seu desenvolvimento. Este processo de ejeção pode constituir uma explicação plausível para a existência das estrelas falhadas, habitualmente designadas por anãs castanhas. Isto é, uma anã castanha seria uma estrela falhada por ter sido ejetada do sistema que lhe deu origem.

 


FONTE: Portal do Astrônomo