Buracos negros podem ser criadouros de galáxias
13/04/02003 - Um estudo recente conduzido pela astrofísica Marianne
Vestergaard, da Universidade Estadual de Ohio, reforça uma visão revisionista
de que as regiões de buracos negros no espaço, tão densas que nem a luz
consegue escapar de sua atração gravitacional, nem sempre são destrutivas.
Elas também podem ter um papel criativo, agindo como sementes ao redor das
quais crescem as galáxias.
Utilizando dados de várias observações celestes, incluindo a Sloan Digital
Sky Survey e a Bright Quasar Survey, Vestergaard examinou aproximadamente 360
quasares, um tipo de galáxias energéticas que tem buracos negros no centro.
Se esses objetos densos se formaram atraindo estrelas e gás para suas galáxias
anfitriãs, os buracos negros nos quasares jovens deveriam ser sistematicamente
menores que os dos mais antigos.
Realmente, Vestergaard descobriu que até os quasares mais jovens contêm
buracos negros de grande tamanho, com até 100 milhões de vezes a massa do Sol.
''É surpreendente que em galáxias tão jovens o buraco negro central já seja
tão maciço'', ela diz.
A descoberta significa que os buracos negros se formaram primeiro, depois atraíram
o gás que com o tempo se aglutinou em galáxias. É possível, no entanto, que
as galáxias tenham produzido buracos negros que se desenvolveram muito mais
depressa que suas anfitriãs.
Uma terceira interpretação, cada vez mais aceita, é que as galáxias e os
buracos negros são gêmeos cósmicos: quando uma aglomeração de matéria no
universo primitivo se tornou grande o suficiente, desmoronou em um buraco negro
jovem rodeado por um reservatório de gases e estrelas em formação -o início
de uma galáxia.
Vestergaard espera resolver essa questão de ''galinha ou ovo'' usando o satélite
Kronos proposto pela Nasa, que faria medições detalhadas das regiões centrais
das galáxias e dos quasares ativos a partir de 2007.
Maia Weinstock Discover