Brasil cria tecnologia inédita na área espacial
19/ 03/ 2003 - Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma tecnologia
inédita no país, que permitirá um significativo avanço na área espacial: um
sistema de proteção térmica para satélites. O sistema é fundamental para
garantir a reentrada de equipamentos espaciais na atmosfera, momento em que
enfrentam temperaturas altíssimas. A falha na proteção térmica é
considerada a mais provável causa da tragédia do ônibus espacial Columbia.
Como não contam com a proteção, os satélites lançados até hoje pelo Brasil
não podem ser resgatados. Por isso, têm servido apenas para a transmissão de
dados no espaço e não para a realização de experiências científicas em
microgravidade, em que a carga precisa ser resgatada.
— Não é possível realizar pesquisa no espaço e trazer de volta as experiências
sem esse tipo de proteção — afirmou o professor Renato Cotta, do Laboratório
de Transmissão e Tecnologia do Calor, da Coppe, que coordenou a elaboração
dos modelos computacionais necessários à criação e testagem do sistema de
proteção. — Para se ter uma idéia do quanto essa tecnologia de proteção térmica
é estratégica, os países que a detêm não a tornam disponível em nenhuma
hipótese.
O sistema de proteção desenvolvido no Brasil é similar ao usado em diversos
países: consiste em recobrir o satélite com um tipo de material que será
consumido pelo calor, preservando o veículo. É diferente do sistema do
Columbia, exclusivo dos americanos. O ônibus espacial era coberto por um
material que rebatia o calor e não se desgastava.
Ainda este ano
Para chegar aos modelos necessários à criação do sistema, os pesquisadores
da Coppe calcularam durante três anos o aquecimento que ocorre no momento da
entrada na atmosfera — equivalente ao gerado por 30 mil lâmpadas de 100 watts
em um metro quadrado —, a transferência de calor para os materiais de proteção
e sua capacidade de resistência. Agora, numa segunda etapa do projeto,
especialistas do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), irão desenvolver os
materiais candidatos à proteção e testá-los.
''A premissa básica da engenharia espacial é que tudo deve ter pouco peso'',
explicou Fernando Rochinha, que participou dos trabalhos desenvolvidos na Coppe.
''Vários materiais metálicos já conhecidos funcionariam bem, mas agregariam
muito peso ao veículo. Por isso temos que desenvolver novos materiais''.
O sistema será usado no primeiro satélite brasileiro preparado para operar em
microgravidade, o Sara, que deverá ser lançado até o fim deste ano.