Bactérias colonizaram o espaço e o subsolo

 

 

 

 

Estudos reforçam tese da existência de vida extraterrestre

29/ 04/ 2003 - Embora os cientistas ainda discutam a definição de vida, descobertas divulgadas nas últimas semanas mostram que há muito mais vida no planeta do que se imaginava - e em lugares bastante improváveis. Organismos que vivem muito bem nas profundezas do solo sob os oceanos, mas mais gélidas camadas de gelo antártico e até mesmo a dezenas de quilômetros sobre nossas cabeças, em órbita.

São as formas de vida mais bem-sucedidas na Terra. O número de pessoas no planeta - meros seis bilhões - não é nada se comparado à população de bactérias, estimada em 5000 bilhões de bilhões de bilhões (um 5 seguido de 30 zeros).

Elas podem ser encontradas em qualquer lugar onde formas superiores de vida são capazes de respirar - inclusive em nossos próprios corpos. Mas elas também prosperam nos mais inóspitos cantos e nas fendas da Terra, formando uma gigantesca zona de vida invisível.

Cada vez que uma bactéria é encontrada em algum local desolado, seja ele uma rocha encravada nas profundezas do solo, uma corrente de ar estratosférica ou em meio à água superaquecida das bordas de um vulcão, os cientistas ficam cada vez mais certos de que as bactérias - ou algo similar a elas - provavelmente existem em algum outro ponto do Universo.

Micróbios interferem no clima do planeta

Tradicionalmente as pessoas ficam fascinadas pelos grandes organismos, que andam, rastejam, ou voam pelo planeta. Mas deveriam reservar um pensamento às pequeninas coisas da vida, como o aparentemente insignificante micróbio que tem um nome facilmente esquecível: SAR11

- SAR11 foi o primeiro grande grupo de bactérias planctônicas a ser descoberto - afirmou Stephen Giovannoni, da Oregon State University.

Os mais recentes estudos de Giovannoni mostram que SAR11 pode englobar um terraço de todas as bactérias presentes na superfície dos oceanos. Esses micromicróbios oceânicos são tão pequenos que bilhões deles caberiam em uma colher de chá, mas são tão abundantes (sua população é estimada em 24.000.000.000.000.000.000.000.000.000) que podem até influenciar o clima do planeta.

- As populações de SAR11 aumentam no verão e diminuem no inverno, em um ciclo que corresponde ao aumento e ao declínio de carbono orgânico dissolvido na superfície dos oceanos - disse Robert Morris, parceiro de Giovannoni.

Sob os oceanos, outra fronteira foi descoberta que expande o domínio dos ambientes hostis onde os organismos conseguem viver: o solo abaixo dos oceanos pode agora ser vista como uma imensa biosfera.

Em um trecho do solo datado de 3,5 milhões de anos, Giovannoni e sua equipe encontraram água moderadamente quente fluindo através de uma rachadura no basalto. A descoberta sugere atividade biológica em um local no fundo do mar distante das fontes de carbono e energia sobre as quais a vida na Terra é baseada.

Se pressão e profundidade não são capazes de deter uma bactéria, tampouco é o frio extremo. Outra recente descoberta feita por Peter Doran, da Universidade de Illinois, revelou colônias de micróbios de três mil anos de idade em um lago na Antártida, isolado por camadas de gelo da atmosfera há pelo menos 2800 anos.

Novas pesquisas revelam ainda que os micróbios não são capazes de viver apenas nas profundezas do solo, mas também bem acima das nossas cabeças, no espaço.

No ano passado, uma equipe de astônomos e biólogos chefiados por Chandra Wickramasinghe detectou indícios de bactérias em amostras de ar a 40 quilômetros de altura. As quantidades encontradas sugerem que, em todo o mundo, cerca de uma tonelada de bactérias chova todo dia sobre nós.

 


Fonte: jornal ‘Daily Telegraph’