Encontradas reservas de água em Marte
Uma nova análise das imagens produzidas pela sonda espacial Mars Global Surveyor (MGS) indica que pode haver água em grande quantidade em Marte.
Segundo cientistas da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, "há evidênciais observacionais da existência de água/gelo próximo da superfície do planeta."
Os pesquisadores disseram que nas latitudes intermediárias do planeta, tanto no hemisfério norte quanto no sul, percebe-se "um terreno único, jovem, que parece ser formado de camadas de poeira aglutinadas com gelo/água."
Os cientistas estimam a quantidade total de água/gelo em Marte em cerca de 40.000 km cúbicos, ou o suficiente para cobrir todo o planeta com uma camada de espessura de cerca de 25 cm.
Fonte da vida
Se a presença de água for confirmada torna possível a existência de vida no planeta
vermelho e garante uma importante fonte de recursos para futuras expedições
exploradoras.
Os cientistas da Universidade de Brown analisaram detalhadamente mais de 8 mil imagens feitas pela MGS. As fotografias revelaram grandes extensões de terreno liso nas latitudes intermediárias de Marte.
O terreno tem pouquíssimas crateras que são formadas por impacto. E isto é uma indicação de que trata-se de um terreno muito jovem, formado possivelmente há apenas 100 mil anos.
Concluímos que o terreno composto de poeira tem que ser mantido aglutinado de alguma forma", disseram os pesquisadores em artigo publicado na revista científica Nature.
Água pode ter corrido recentemente na superfície de Marte
Os sulcos e cavidades que aparecem nas imagens permitem aos cientistas determinar a
textura e a profundidade do terreno.
Os pesquisadores da Universidade de Brown acreditam que a camada de poeira é porosa e tenha uma profundidade entre um e dez metros.
Os cientistas acreditam que são os poros, que foram formados pela ação do gelo, que mantêm juntas as placas de poeira.
Ventos moderados
Os cálculos dos especialistas mostram que os ventos que ocorrem na superfície de Marte
não têm força capaz de alterar o terreno da superfície.
A teoria de que as mudanças climáticas de Marte obedecem a um ciclo que se repete a cada 100 mil anos, mostra, segundo os cientistas, que Marte já teve muita água e gelo no passado.
Esse ciclo é mantido pelas variações da órbita do planeta que produzem elevações de temperatura e da umidade relativa do ar.
Apesar de estar em lento declínio, a quantidade de água que existe em Marte e a proximidade que esta água está da superfície do planeta, indicam, de acordo com os pesquisadores, as corretas condições para que tenha havido, ou vá haver, vida no planeta vermelho.
Provavelmente, a partir desta descoberta, as próximas expedições exploratórias à Marte vão se concentrar na busca de vestígios de vida no planeta.
E se for confirmada, a presença de água em Marte pode ser usada para matar a sede de futuros exploradores ou para que seja transformada em oxigênio e em hidrogênio que possa ser usado como combustível dos foguetes em sua viagem de volta à Terra.