Telescópio de raio-X descobre ninho de estrelas



A descoberta de mina de estrelas binárias poderá explicar a evolução dos cúmulos globulares, algumas das estruturas mais antigas de nossa galáxia, anunciaram os cientistas.

Os pesquisadores usaram o telescópio Chandra, de raio-X, o telescópio espacial Hubble e telescópios terrestres de rádio para estudar os sistemas binários que dominam um cúmulo globular chamado 47 Tucanae. O sistema tem uma idade de cerca de 12 bilhões de anos e está localizado em nossa Via Láctea.

A maioria das estrelas binárias em 47 Tucanae tem companhia normal, como o sol que orbita uma estrela, ou uma anã branca ou uma estrela de nêutrons.

As anãs brancas são estrelas densas como o sol e as de nêutrons são ainda mais densas. Quando a matéria de uma estrela próxima cai ou na anã branca ou na de nêutrons, produz-se raios-X.

"Essa imagem de Chandra fornece o primeiro censo completo de binárias compactas no núcleo de um cúmulo globular," disse Josh Grindlay, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics. Grindlay é o principal autor de um estudo publicado na revista Science.

"O número relativo de estrelas de nêutrons versus anãs brancas nessas binárias nos fala sobre o desenvolvimento das primeiras estrelas no cúmulo, e as próprias binárias são chave na evolução de todo o núcleo do cúmulo," disse.

Muitas das binárias na 47 Tucanae nunca foram vistas antes em tão grande quantidade. Incluem "pulsar de milsegundos" que contêm estrelas de nêutrons rapidamente rotativas.

"Os dados da Chandra, em conjunção com observações a radio, indicam que já muitos pulsares de milsegundo do que esperávamos baseado no número de progenitores que encontramos," disse o co-autor Peter Edmonds.

As observações de Chandra do 47 Tucanae foram realizadas em 16 e 17 de março de 2000.