Polêmica no ar
Plutão é planeta ou cometa?



 

Um antigo debate voltou à tona em fevereiro de 2001, quando se divulgou que o "Rose Center for Earth and Space", famoso planetário do Museu de História Natural de Nova York (EUA), não considera Plutão um dos planetas do Sistema Solar. Desde fevereiro de 2000, quando foi aberto, o "Rose Center" mostra um painel com oito planetas, de Mercúrio a Netuno. Alguns visitantes estranharam, mas o assunto só veio à tona quando o "The New York Times" publicou uma reportagem à respeito.

O museu explicou, então, que não era engano. Para os astrônomos da instituição Plutão deve ser considerado um cometa por uma série de razões científicas. Essa teoria já existe há alguns anos, mas foi a primeira vez que uma instituição a encampou, embora discretamente, apenas informando em uma etiqueta que Plutão fazia parte, na verdade, de um grupo de cometas conhecido como "Kuiper Belt".

A iniciativa causou polêmica na comunidade científica. Vários astrônomos discordaram. Eles afirmam que a União Astronômica Internacional, principal autoridade no assunto, continua definindo Plutão como um planeta. Os cientistas que defendem a classificação afirmam que Plutão é pequeno e tem uma órbita irregular demais parfa ser um verdadeiro planeta. Ele tem cerca de 2.300 Km de diâmetro (menor que a Lua) e sua órbita está inclinada l7º em relação à de outros planetas do Sistema Solar.

O astro leva 248 anos para completar uma volta em torno do Sol e por 20 desses anos fica mais próximo do Sol do que Netuno. Se a órbita de Plutão fosse mais elliptica, ele se aproximaria ainda mais do Sol e desprenderia água e gases, formando uma cauda parecida com a de um cometa.

Há ainda o problema da composição. Enquanto os outros planetas podem ser definidos como planetas terrestres (caso de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) ou como planetas gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), Plutão é formado por pedras e gelo. Sua composição o aproximaria de um dos 300 corpos de gelo que orbitam Netuno.

Plutão tem um satélite, Charon, com a metade do seu tamanho. Alguns astrônomos defendem que os dois formam um planeta duplo, porque seus tamanhos não são muito diferentes e "eles dançam um em torno do outro", sem estabelecer uma hierarquia orbital. A União Astronômica Ingternacional rebate a tese, dizendo que Plutão tem as duas principais características de um planeta: orbita o Sol e é grande o bastante para que sua gravidade o mantenha com a forma esférica.

A causa da controvérsia é na verdade o avanço científico que a Astronomia teve nas últimas décadas. Graças aos novos equipamentos, astros desconhecidos até pouco tempo atrás puderam ser identificados. Plutão foi descoberto em l8/02/1930. Quando o astro foi identificado, pensou-se que ele tinha o tamanho da Terra. Por isso, foi rapidamente classificado como planeta. Depois descobriu-se que era bem menor. Em 1992, os astrônomos começaram a descobrir centenas de astros formados por pedra e gelo com órbita similar à Plutão e ficaram conhecidos como "Plutinos".

Um grupo minoritário de astrônomos acredita que, se o "status" de Plutão for mantido em breve haverá problemas para classificar novos astros. Mas a polêmica poderá acabar se a NASA aprovar a construção do Pluto-Kuiper Express, um par de espaçonaves para explorar a região onde ficam os astros de pedra e gelo.