Atlas Marciano

Sonda da Nasa desenha mapa
completo do planeta vermelho

 

AFP/Nasa
Imagem tridimensional do hemisfério norte de Marte: vulcões, montanhas e vales


Uma sonda espacial completou em apenas cinco meses em Marte o que a humanidade levou mais de 10.000 anos para fazer na Terra: mapear o planeta por inteiro. Na semana passada, pesquisadores da Nasa e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT, divulgaram o primeiro conjunto completo de imagens tridimensionais do planeta vizinho feitas a partir de medições da sonda Mars Global Surveyor. O resultado é muito bonito. Marte tem vulcões altíssimos, montanhas cobertas de neve, vales profundos, platôs e planícies que lembram o contorno de continentes e oceanos. O mapa servirá para indicar os melhores locais de pouso para espaçonaves terrestres em solo marciano e também para reconstituir o passado geológico do planeta. "Já podemos dizer que conhecemos Marte melhor do que muitas regiões da Terra", afirmou Carl Pilcher, diretor científico da área de exploração do sistema solar da Nasa, a agência espacial americana.

As imagens de Marte exibidas pela Nasa têm impressionante acuidade. Vinte e sete milhões de medições foram realizadas por um aparelho que calcula a altitude a partir da emissão de raios laser. Processadas dentro de uma gradação de cores que vai do vermelho (os pontos mais altos) ao violeta (os mais baixos), permitiram aos cientistas enxergar detalhes como os da Bacia Hellas, no hemisfério sul do planeta. Essa formação, originada do impacto de um asteróide ou cometa, tem profundidades de até 9.000 metros, onde caberia o Monte Everest inteiro. Ao seu redor, um largo anel de resíduos expelidos durante a colisão se estende por quase 4.000 quilômetros. Em virtude de formações como as da Bacia Hellas, o hemisfério sul tem um relevo muito mais acidentado que o do norte. Além disso, é, em média, 5 quilômetros mais alto.