O segredo do abismo

 

 

A agência espacial americana, a Nasa, sacudiu a comunidade científica ao anunciar, em dezembro de 1996, a descoberta de água na Lua. No pólo sul do satélite, existiria um lago congelado do tamanho de quatro campos de futebol, com 10 metros de profundidade. Nele, estariam misturados cristais de gelo e poeira cósmica. Sua localização exata seria a cratera da Aitkin, um buraco escuro e gelado, com 2 500 quilômetros de diâmetro e 12 000 metros de profundidade. Lá no fundo, onde jamais bateu um raio de sol, a temperatura chega a 230 graus negativos. Feita a partir de sinais captados pela sonda americana Clementine, a descoberta colocava por terra a idéia de que a Lua era um ambiente estéril e completamente desidratado desde sua formação, há bilhões de anos. Cientistas consultados por VEJA prontamente avaliaram com cautela o anúncio, frisando que a descoberta feita pela Nasa ainda dependia de comprovação.

 



Leia aqui a reportagem
sobre o assunto
publicado pela revista Veja

 

 

O que aconteceu depois

Por mais de um ano, cientistas de todo o mundo contestaram a descoberta. Em junho de 1997, a renomada revista Science publicou um artigo contestando a existência do lago congelado. A Nasa só conseguiu provar o seu feito em março de 1998, quando a nave Lunar Prospector foi até a borda da cratera e detectou a presença de pequenos depósitos de gelo. A quantidade total de água encontrada, calculada pelos cientistas, era de até 330 milhões de toneladas. Derretido e purificado, o gelo poderia matar a sede de 2 000 habitantes de uma base lunar por dois séculos e servir de fonte de oxigênio para uma atmosfera artificial. Alguns pesquisadores previram que uma colônia lunar poderia ficar pronta em dez anos. Posteriormente, a Lunar Prospector foi programada para mergulhar na cratera e se espatifar no lago congelado. A idéia era que, ao se chocar com o solo, a nave levantasse uma nuvem de vapor d’água que poderia ser detectada por telescópios aqui da Terra. Porém a sonda de 63 milhões de dólares se destruiu e não levantou nem poeira. Apesar do fiasco da experiência, os exames anteriores já tinham sido suficientes para provar a existência de água na Lua. Mas a colonização do satélite ainda é um sonho distante, tanto por razões tecnológicas quanto econômicas.