Cientistas acham planeta parecido com a Terra
A busca por novos planetas e novas formas de vida fora do sistema solar ganhou novo impulso na semana passada. Astrônomos da Nova Zelândia anunciaram ter encontrado num ponto da Via Láctea a 30.000 anos-luz da Terra um planeta que reúne algumas das condições para a existência de vida. O planeta, ainda sem nome, gira em torno de uma estrela com uma órbita muito semelhante à descrita pela Terra em torno do Sol. Segundo os astrônomos, essa característica garante condições de luz e calor muito parecidas com as terrestres. "Uma órbita nessa região é muito promissora", avaliou o pesquisador Ian Bond, da Universidade de Auckland, um dos membros da equipe internacional que fez a descoberta. O tamanho do novo planeta também é muito semelhante ao da Terra. Os pesquisadores, no entanto, não têm meios de confirmar se lá existe água ou outros elementos fundamentais para a vida, como carbono e hidrogênio. Até agora, dos dezessete planetas já identificados fora do sistema solar, nenhum reúne as características encontradas pelos neozelandeses.
Os cientistas se valeram de uma nova técnica de observação espacial chamada lente gravitacional, utilizada pela primeira vez numa pesquisa desse tipo. Desenvolvido a partir de um conceito do físico Albert Einstein, o método, em vez de observar o planeta diretamente, identifica-o pela ação de seu campo gravitacional sobre os raios de luz emitidos pelas estrelas próximas e desviadas de sua trajetória inicial. Entusiasmados com os resultados obtidos nessa primeira experiência, os pesquisadores neozelandeses já planejam retomar as observações a partir de abril. Terão muito trabalho pela frente: apenas a Via Láctea tem 65 bilhões de estrelas semelhantes ao Sol que podem conter planetas em sua órbita.