Na segunda divisão
Astrônomos
querem rebaixar Plutão da
condição de nono planeta do sistema solar
Em 1930, o jovem astrônomo americano Clyde Tombaugh, de apenas 24 anos, assombrou o mundo com o anúncio de que havia descoberto um novo planeta do sistema solar. Acreditava-se ser o Planeta X, cuja existência fora prevista quinze anos antes por outro astrônomo, Percival Lowell, ao observar que a órbita de Urano e a de Netuno eram alteradas pela força gravitacional de um corpo celeste desconhecido. O novo planeta ganhou o nome de Plutão, o deus grego das profundezas. E, desde então, os livros de ciência passaram a registrar nove planetas em torno do Sol. Dentro de alguns meses, essa conta talvez tenha de ser refeita. A União Astronômica Internacional, IAU, o organismo responsável pela classificação dos corpos celestes, convocou seus 8300 associados para decidir, numa votação pela internet, se Plutão merece ou não o título de planeta. Boa parte dos astrônomos ligados à entidade acha que não. Com tamanho inferior ao da Lua, Plutão é pequeno demais para ser chamado de planeta. Além disso, tem uma órbita bizarra, bem diferente da dos demais planetas. Esses cientistas querem que Plutão seja rebaixado à segunda divisão do sistema solar e que receba no máximo o nome de "planeta menor".
O astrônomo Michael F. A'Hearn, da Universidade de Maryland e presidente da Divisão de Ciências dos Sistemas Planetários da IAU, considera óbvia a reclassificação de Plutão. Segundo ele, poderia ser criada até mesmo uma nova categoria de objetos espaciais para enquadrar o planeta decaído. Seriam os Objetos Transnetunianos, TNO, ou bolas geladas que giram além de Netuno. São maiores que os asteróides, mas não chegam a ter tamanho para ser considerados planetas. Seria um prêmio de consolação para um curtíssimo estrelato. No período em que reinou como o mais distante planeta do sistema solar, Plutão chegou a percorrer pouco mais de um quarto de uma de suas longas voltas em torno do Sol. Sua órbita demora 248 anos para se completar.
Com apenas 2.300 quilômetros de diâmetro (contra 12.800 da Terra e 3.500 da Lua), Plutão sempre foi um enigma mal decifrado. Sua órbita é acentuadamente elíptica com relação ao eixo do Sol. Por essa razão, a cada dois séculos e meio ele mergulha nos confins do sistema solar e, em seguida, retorna às imediações do Sol, ultrapassando a órbita do vizinho Netuno. Mesmo com tamanho tão reduzido, Plutão tem seu próprio satélite natural, o pequeno Caronte, com metade do diâmetro do planeta. Até hoje nenhuma sonda ou nave terrestre se aproximou dele. Toda a região onde o planeta se encontra, incluindo aí o chamado Cinturão de Kuiper, composto de asteróides e objetos congelados dos mais diversos tamanhos, ainda é praticamente desconhecida. A primeira sonda destinada a cumprir tal missão, a Pluto-Kuiper Express, deve ser lançada pela Nasa em 2001. Até lá, talvez Plutão já tenha perdido seu lugar ao Sol.