Berço Estelar
Telescópio
flagra o nascimento de sistema
planetário numa estrela próxima da Terra
Neste exato momento é provável que novos planetas estejam se formando no universo do mesmo modo que a Terra. A maior evidência disso foi apontada na semana passada pela Nasa, a agência espacial americana. Através do telescópio Keck II, instalado no Havaí, foi fotografado um clarão na constelação Centaurus, a cerca de 220 anos-luz da Terra o que significa "perto" na escala astronômica. É um aglomerado gigantesco de poeira, que começou a concentrar-se no espaço graças à atração exercida pela gravidade e formou uma estrela, hoje com 10 milhões de anos. Batizada de HR 4796, a nova estrela tem ainda à sua volta um vasto disco de partículas e gases, cuja agregação indica o nascimento de um sistema planetário semelhante ao existente em torno do Sol. "Foi provavelmente desse jeito que se formou o nosso sistema solar", diz o astrônomo Michael Werner, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em Pasadena, Califórnia, que detectou o disco de poeira ao mesmo tempo que uma equipe americana do observatório Cerro Tololo, no Chile.
A poeira que formou a estrela é composta de partículas de carbono, oxigênio, silício, ferro, entre outros elementos, além de moléculas de gases. Deriva de restos de estrelas que morreram no decorrer de bilhões de anos e que vagavam à deriva no espaço. Ao concentrar-se pela força gravitacional, a poeira esquenta e emite radiação infravermelha, que é captada pelos telescópios. "À distância em que a HR 4796 está, nós só podemos enxergar planetas nessa fase embrionária, quando emitem muita energia, ou então planetas já formados de tamanho muito maior que Júpiter, 318 vezes maior que a Terra", diz o brasileiro João Steiner, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica.
Além de mais jovem, a HR 4796 tem uma formação mais semelhante ao sistema solar que a última descoberta do gênero o disco de poeira em torno da estrela Beta Pictoris, de 200 milhões de anos, encontrado em 1983. A principal diferença entre o sistema em formação e o que criou o nosso é o tamanho. O disco em volta da HR 4796 tem três vezes a órbita de Plutão, o planeta mais distante do Sol. Pode ser que, entre os planetas surgidos nessa imensidão, ainda venha a existir algum parecido com a Terra. Difícil vai ser confirmar essa hipótese a partir dos observatórios terrestres. O tempo de formação dos planetas a partir do atual estágio em que a HR 4796 se encontra poderá ser de até mais de 10 milhões de anos.
O gênio tinha razãoMais um dos efeitos previstos por Albert Einstein na sua Teoria da Relatividade Geral, anunciada em 1915, acaba de ser confirmado pela observação. Da mesma forma como já foi comprovado que a luz faz uma curva ao passar pela matéria, em virtude da ação da gravidade, cientistas americanos observaram que em regiões do espaço próximas a corpos muito densos não é possível haver uma órbita circular estável, como o cientista também já imaginara. Durante o encontro da Sociedade Americana de Física, foram apresentados os resultados da observação de estrelas de nêutrons, que têm massa equivalente à do Sol num diâmetro de apenas 16 quilômetros, 87500 vezes menor. A partir de dados captados pelo satélite Rossi Explorer, da Nasa, os cientistas verificaram que o gás ao seu redor não circula de maneira uniforme. Esse é um sinal de que a atração gravitacional em tais estrelas é tão intensa que deforma o espaço ao seu redor. Assim, não seria possível, por exemplo, colocar um satélite em sua órbita ele seria expelido ou engolido. |