Colosso estelar
Cientistas
acham a estrela mais brilhante do universo
O telescópio espacial Hubble acertou a mira, na semana passada, em um alvo grande, muito grande. Mais exatamente uma estrela tão imensa que, perto dela, o Sol é uma estrelinha mequetrefe. Descoberta por cientistas da Nasa e da Universidade da Califórnia, Ucla, em Los Angeles, a Pistol Star é a mais luminosa estrela já descoberta. Se fosse colocada no centro do sistema solar, a Pistol engoliria Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, dentro de seu núcleo incandescente, que queima a 100000 graus Celsius. Júpiter e os planetas seguintes ficariam fora do ventre do gigante, mas deixariam de existir, seriam vaporizados, tamanho o calor liberado. Trata-se de um astro jovem, com idade entre 1 e 3 milhões de anos (o bom e velho Sol tem 5 bilhões), com energia estupenda. Em seis segundos, ela libera a quantidade de luz e calor que o Sol produz em um ano. A Pistol queima tão rápida e intensamente que, dentro de 3 milhões de anos, deverá explodir para sempre numa massa incandescente conhecida pelos astrônomos como supernova.
A Pistol é rodeada por uma enorme nuvem estelar que já era conhecida havia alguns anos. O que os cientistas descobriram agora é que o material que produziu a nuvem foi formado por duas erupções da estrela, nas quais ela despejou jorros de gás fumegante equivalente a dez vezes o peso do Sol. Pode parecer estranho que um monstrengo desse tamanho tenha passado despercebido durante tanto tempo e que o Sol, tão pequenino, produza queimaduras de terceiro grau nos desavisados. Mas há uma explicação. Primeiro, a Pistol Star fica a 25000 anos-luz de distância. É tão longe que, mesmo sem nenhum obstáculo no caminho, ela seria vista da Terra como uma estrelinha qualquer. Depois, o caminho entre a Pistol e o sistema solar é congestionado, em função da poeira cósmica. De cada trilhão de partículas de luz emitidas pela estrela, apenas uma chega até a Terra. Ela só pôde ser vista graças às câmaras do Hubble, capazes de captar raios infravermelhos. Em função do gigantismo dessa estrutura espacial, há cientistas desconfiados de que a Nasa tenha descoberto, na verdade, um conjunto de estrelas. "É muita luz para sair de uma estrela só", diz Roberta Humphreys, da Universidade de Minnesota.